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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

#NatalMinhaCasaMinhaVida atinge 2º posição do top Trends Brasil




Por Daniel Menezes
O twittaço, que teve como objetivo discutir os problemas concernentes as obras da copa do mundo em Natal, foi um grande sucesso. Na tarde hoje, durante o encontro virtual, a hashtag #NataMinhaCasaMinhaVida atingiu segunda posição entre os assuntos mais comentados do Twitter Brasil.

O debate mostrou que natalenses cultivam muitas críticas e dúvidas sobre o modelo seguido. Que não estão satisfeitos com os rumos que as obras da copa estão tomando.

Muitos twitteiros apontaram a falta de planejamento urbano e ambiental das obras (a maioria sem licença), além das injustiças que estão sendo empreendidas contra as pessoas que serão desapropriadas de suas casas. Mais de 400 famílias serão desabrigadas e não foram, sequer, chamadas para o diálogo.

Além da atitude antidemocrática (os representantes do estado e do município já afirmaram que não irão receber os moradores), as desapropriações seguem sem planejamento. Os atingidos não sabem quando serão desalojados, nem como. O que eles já tomaram conhecimento, através de carta lacônica, foi que suas casas, nas avaliações da prefeitura, não estão atingindo 1/5 do valor de mercado dos imóveis.

Sendo a favor ou contra a copa em Natal, uma mudança de tamanha magnitude na nossa cidade requer, inevitavelmente, diálogo, disseminação de informação, respeito e transparência. Tudo o que não vem acontecendo até o presente momento.

Foram visíveis também as manifestações de apoio ao Comitê Popular da Copa. Fomentado por cidadãos e composto por equipe multidisciplinar, o comitê está debatendo e evidenciando o que vem sendo escondido por órgãos governamentais e esquecido pela imprensa. Esta última, ainda que os problemas e desrespeitos se mostrem como evidentes, está fingindo que tudo é uma maravilha e que o natalense está convencido de que o modelo de implementação da copa só trará coisas boas. Imprensa e governo fingem que tudo está as mil maravilhas. Jornalista, excetuando aqueles que não seguem a regra – que são poucos -, age como o legítimo Pangloss de Voltaire. Este personagem, que figura nas páginas do livro "O cândido", submetido a todo tipo de intempérie, teima em enfatizar que vivemos no melhor dos mundos e que tudo irá se resolver por si só.

Porém, o natalense já escancarou que não é bobo alegre. Quer argumentos, planejamento, respeito, discussão e respostas. Sendo a favor ou contra a copa, os moradores da cidade já sinalizam que não querem atentado a dignidade e direitos de nem um cidadão.

Governo do RN e prefeitura do Natal precisam calçar sandálias da humildade e praticar a democracia. Afinal, copa do mundo em Natal só tem sentido se for produzida para o cidadão e não contra ele.

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