Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#NatalMinhaCasaMinhaVida atinge 2º posição do top Trends Brasil




Por Daniel Menezes
O twittaço, que teve como objetivo discutir os problemas concernentes as obras da copa do mundo em Natal, foi um grande sucesso. Na tarde hoje, durante o encontro virtual, a hashtag #NataMinhaCasaMinhaVida atingiu segunda posição entre os assuntos mais comentados do Twitter Brasil.

O debate mostrou que natalenses cultivam muitas críticas e dúvidas sobre o modelo seguido. Que não estão satisfeitos com os rumos que as obras da copa estão tomando.

Muitos twitteiros apontaram a falta de planejamento urbano e ambiental das obras (a maioria sem licença), além das injustiças que estão sendo empreendidas contra as pessoas que serão desapropriadas de suas casas. Mais de 400 famílias serão desabrigadas e não foram, sequer, chamadas para o diálogo.

Além da atitude antidemocrática (os representantes do estado e do município já afirmaram que não irão receber os moradores), as desapropriações seguem sem planejamento. Os atingidos não sabem quando serão desalojados, nem como. O que eles já tomaram conhecimento, através de carta lacônica, foi que suas casas, nas avaliações da prefeitura, não estão atingindo 1/5 do valor de mercado dos imóveis.

Sendo a favor ou contra a copa em Natal, uma mudança de tamanha magnitude na nossa cidade requer, inevitavelmente, diálogo, disseminação de informação, respeito e transparência. Tudo o que não vem acontecendo até o presente momento.

Foram visíveis também as manifestações de apoio ao Comitê Popular da Copa. Fomentado por cidadãos e composto por equipe multidisciplinar, o comitê está debatendo e evidenciando o que vem sendo escondido por órgãos governamentais e esquecido pela imprensa. Esta última, ainda que os problemas e desrespeitos se mostrem como evidentes, está fingindo que tudo é uma maravilha e que o natalense está convencido de que o modelo de implementação da copa só trará coisas boas. Imprensa e governo fingem que tudo está as mil maravilhas. Jornalista, excetuando aqueles que não seguem a regra – que são poucos -, age como o legítimo Pangloss de Voltaire. Este personagem, que figura nas páginas do livro "O cândido", submetido a todo tipo de intempérie, teima em enfatizar que vivemos no melhor dos mundos e que tudo irá se resolver por si só.

Porém, o natalense já escancarou que não é bobo alegre. Quer argumentos, planejamento, respeito, discussão e respostas. Sendo a favor ou contra a copa, os moradores da cidade já sinalizam que não querem atentado a dignidade e direitos de nem um cidadão.

Governo do RN e prefeitura do Natal precisam calçar sandálias da humildade e praticar a democracia. Afinal, copa do mundo em Natal só tem sentido se for produzida para o cidadão e não contra ele.

Comentários

Postagens mais visitadas