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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

#FimdoDEM: Onde Judas se cruza com um Sinal Fechado

Era dia 9 de fevereiro de 2011.  O governo do RN anunciaria, em poucas horas, o cancelamento do contrato de insperação veicular com o Consórcio Inspar - cancelamento que somente foi efetivado em maio.  Mas antes disso, os envolvidos no esquema fraudulento já tinham recebido a informação.  Falamos sobre isso aqui.
O que aconteceu naquele dia?  Pela manhã, os membros da organização são informados de que o contrato será cancelado.  George Olímpio, apontado como líder da organização, é convocado para ir a Brasília.  Em telefonema com Gilmar da Montana, George diz: "Eu estou chegando no aeroporto.  Eu tô indo para Brasília agora... vou falar com o Ministro [José Delgado] e com José Agripino...  eles mandaram me chamar lá, tô pegando o vôo agora".  Abaixo, o trecho da transcrição na petição da Operação Sinal Fechado:

Perceba que não foi George que pediu o encontro com o senador e o advogado José Delgado: "eles mandaram me chamar lá".  O interesse em conversar com George no dia do anúncio do cancelamento do contrato era todo de José Agripino.  Que se comporta menos como colaborador e mais como líder - afinal, o senador mandou chamar George.
Em conversa subsequente, George conversa com o ex-cunhado, Eduardo Patrício, antigo dono da Delphi Engenharia. E Eduardo dá a senha: a solução possível é "seguir com José [Agripino]".
O que trouxe, finalmente, os holofotes sobre José Agripino nesta semana foi um vazamento de depoimento justamente do réu Gilmar da Montana.  Gilmar informa ter sabido por George que foi repassado R$ 1 milhão para as campanhas de José Agripino e Rosalba Ciarlini por parte da quadrilha.
Note o trecho seguinte do depoimento de Gilmar:

Gilmar diz que pediu ajuda, para salvar o negócio, a alguns desembargadores.  Entre os quais estão Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro - denunciados por Carla Ubarana e George Leal como beneficiários dos desvios investigados na Operação Judas.
Não é por acaso, então, que na conversa acima entre George e Gilmar da Montana, um outro nome aparece convocando os membros da quadrilha.  Diz Gilmar: "... Osvaldo queria falar com a gente... eu não sei, você que sabe, se você não quiser ir não vá".  Além de José Agripino, agora é o desembargador Osvaldo Cruz que deseja conversar com a quadrilha?  O conteúdo da ligação combina perfeitamente com o que foi dito por Gilmar no depoimento - que agora José Agripino diz que foi dado sob efeito de medicamentos.
Enfim, no TJ parece que se cruzam Judas e Sinais Fechados.

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