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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A corrupção na Globo e o seu combate

A semana começou sob o impacto as denúncias, feitas pelo Fantástico, de fraudes em licitações de um hospital universitário do Rio de Janeiro. Em que pese serem denúncias sérias, duas coisas parece não terem sido consideradas na discussão sobre o assunto. Em primeiro lugar, lamentavelmente, os acertos apontados ali, jocosamente chamados de "ética do mercado", acontecem de forma mais comum que quis fazer crer a reportagem. Em segundo lugar, ninguém parece ter se dado conta que a Globo tenta retomar a capacidade de pautar a opinião pública no Brasil - ao mesmo tempo que faz esquecer Cachoeira/Demostenes, Ricardo Teixeira e a Privataria Tucana. Não à toa, e isso passou despercebido, uma equipe da emissora estava na casa do senador Alvaro Dias (PSDB) no domingo para acompanhar a exibição da matéria. O senador propôs uma CPI no Senado - e foi proposta uma outra CPI, mista, a partir da Câmara. Enquanto isso, escapam da investigação por uma CPI Demostenes e os envolvidos nas acusações contra Cachoeira - inclusive o governador tucano Marconi Perillo, que andou por Natal dando aulas para o candidato Rogério Marinho.
Outra coisa que passou despercebida, mas foi citada nas matérias a respeito: as empresas denunciadas já estavam sendo investigadas em algum âmbito. Essa informação aparece nas reportagens, mas sem o vínculo de consequência: o produtor convidou quatro empresas com grandes contratos com o governo federal sobre quem pesam suspeitas importantes. Em outras palavras: para fazer o flagrante sem chance de ter erro, chamou empresas conhecidas por corromper.
A gota d'água no enquadramento do tema foi dada ontem, em matéria do Jornal Nacional sobre as CPIs propostas e o projeto de lei do governo Lula que pune as empresas e empresários que corrompem.
Escolha de palavras é enquadramento ideológico. A repórter Cristina Serra, ao falar sobre, disse:"Projeto foi encaminhado em 2010 para a Câmara pelo executivo".
Por que não disse:"Projeto foi encaminhado em 2010 para a Câmara pelo presidente Lula"?
Porque Lula é enquadrado ideologicamente pela Globo, sempre, como conivente com corrupção. Como a Globo poderia dizer, agora, que Lula é autor do projeto que enfrenta corrupção?
De modo semelhante, a matéria de domingo ressaltou o papel da CGU no combate à corrupção, informou o número de servidores exonerados a partir de suas investigações, nos últimos nove anos - mas não relacionou a data ao governo Lula nem esclareceu que não havia CGU antes disso.

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