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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Sobre desonestidade e manipulação

José Delfino - médico

Em 23 de dezembro passado, um bacharel em Direito, bêbado, às seis da manhã, cortou em alta velocidade o sinal da Prudente de Morais com a Nascimento de Castro e destruiu o carro da minha mulher, Margareth Dore (perda total para fins de seguro). Ela escapou da morte por puro milagre. Foi internada com concussão cerebral e ainda hoje está com amnésia lacunar, possivelmente para sempre.

O causador da tragédia, visivelmente em estado de embriaguês, comentava na ocasião que não aconteceria nada, pois tinha costas largas. Sob influência do pai (agente da policia federal que tentou de todas as maneiras obstruir o serviço da perícia) se negou a fazer o bafômetro. Alegou na delegacia, ainda em visível estado de embriaguês, que não permitiria ser colhida amostra de sangue, no ITEP, por motivo religioso (dizia ele ser católico).

O carro do delinquente embriagado, autor da colisão criminosa e dolosa, apesar de estar com a documentação vencida há dois anos, não foi apreendido, assim como não foi retida a sua carteira de habilitação. Em apenas 48 horas foi emitido um laudo pericial, manipulado e falso, onde as posições dos carros foram criminosa e propositalmente invertidas. De posse do laudo manipulado a seu favor, o autor do crime doloso partiu, pasmem, para intimidação e chantagem: ou pagaríamos todas as despesas ou iriam à justiça.

Contestamos o laudo, por via administrativa, e nada aconteceu. No dia 16 de fevereiro de 2012, pela manhã, fomos chamados para conversar. A "conversa", que na realidade foi um monólogo, girou em torno de um novo laudo, no qual agora se lê que não existem provas suficientes para conclusão de culpabilidade das partes. Apesar de me terem  dito, durante o "monólogo", que foram constatados fatos realmente graves com relação aos que fizeram a perícia e a quem assinou, ou quem influenciou (?) o laudo.

O comandante geral da Polícia Militar mostrou-se indignado, na minha presença e de outras testemunhas, com os absurdos encontrados no laudo inicial. Mesmo assim, optaram por um novo laudo, no qual não se apontavam culpados. Em tempo, o advogado bêbado é de uma família de policiais militares. Um tio é coronel e exerce função de confiança no gabinete de Vossa Excelência.

É triste se constatar a ocorrência de atitudes criminosas e desonestas, bem como assistir, com revolta , o cinismo inserido nessa cabal demonstração de certeza de impunidade, por pessoas que são pagas para defender o direito do cidadão e fazer justiça.

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