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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Sabedoria de Alice

Alice dormia pouco antes da meia-noite.  Quando começou a queima de fogos na ponte Newton Navarro, que assistia da área de serviço do apartamento em que mora minha mãe, acordamos a pequena para ver "as bolas" e "os minhocos" que queimaram parte dos nossos R$ 300 mil em forma de fogos de artifício.
Desejamos feliz ano novo.  Dizíamos que o ano novo tinha acabado de chegar.  Alice olhava pela janela.  E do alto de seus dois anos fez a pergunta definitiva: "Cadê o ano novo?"
Com dois anos, a pequena Alice descobriu o óbvio que nós, adultos, costumamos esquecer e nos enganar: a chegada do ano novo não muda nada.  O ano novo não aparece em nossa janela.  O que vemos pela janela já víamos há pouco.

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