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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

#Pinheirinho: "Volta e manda sua presidenta falar comigo", disse oficial da PM a secretário

No PIG, depoimento de Paulo Maldos, secretário nacional de articulação social da Presidência da República:

Boa noite. Eu queria esclarecer que a minha presença naquela manha se deu devido a um acordo da presidência da república porque entendemos que haveria um tempo de 15 dias de estudar uma solução. Como havia este tempo, a partir daquele final de semana iríamos trabalhar já a partir daquele momento. Trabalhavamos junto ao Prefeito, ao governador. Eu fiquei incubido de falar com a comunidade. Procurar as alternativas. Construir casas. Procurar terrenos. Solucionar. Eu vim numa missão de escuta. Tinha marcado nove da manha ainda por celular soube que havia um cerco na comunidade. Não quis acreditar por conta do pacto. Eu não entendi como poderia estar cercado militarmente aquela comunidade. Eu cheguei e me deparei com uma situação bastante crítica. Um cerco militar com escudos escrito CHOQUE. Eu quis acessar o comando. Me dirigi até o grupo de soldados, quando cheguei até uns oito metros. E fui advertido que parasse e vi armas em minha direçã. Dei a volta e fiquei a uns vinte metros de distâncias. E conversando com a população, de repente sem mais nem menos, eu senti um ferimento, eu recebi uma bala na perna esquerda. Procurei me esconder. Esta tropa veio atacando a população. Eu fiquei por nove horas no bairro. Sofremos ondas de ataque. Haviam cercado o Pinheirinho. Pude perceber ataques cada vez mais prolongados. Jogando bombas. Notícias de senhoras sendo espancadas. Por volta de onze da manha, tentei acessar o comando da operação. Voltei fiquei falando com os jornalistas. Fomos chamados por um grupo de oficiais. Eu tentei ir junto, mas fui barrado. Apresentei meu cartão da Presidência da República. Com Brasão. Secretaria Nacional. Ele leu e falou que eu não entrava. Ele falou você : VOCÊ VOLTA E MANDA SUA PRESIDENTA FALAR COMIGO.

Foi um militar. Um oficial que tava de azul claro. Acho que era responsável por comunicação.

Gostaria ainda de reforçar o depoimento do David sobre a agressividade. Tentei também a GUARDA CIVIL para tentar acessar o comando da operação. A mesma coisa. Volta volta e apontaram armas. Eu queria dizer o seguinte eu percebi que a PM disse que estava com armas não letais, mas a policia federal considera armas menos letais. E a policias da guarda civil estavam com armas letais. Pela minha percepção, eles estavam orientados a não realizar nenhum contato, não podiam estabelecer contato com ninguém. Eram pra atacar. Atitude de tratar todos como inimigos. Inimigos a serem dominados, ou elminados fisicamente.

E tratou-se de um ataque com estratégia. Dois helico´teros claramente realizando surtos de ataques orientados de cima dos helicópteros. Foi uma operação militar de cerco e de aniquilamento. Tratou-se de um ataque compacto. A presença de parlamentares, religiosos e imprensa deve ter evitado o aniquilamento. Foi muito pior do que conhecemos até agora.

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