Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Parece que pareço incomodar

Sei que meu caro Rafael Duarte, ao me eleger o oitavo mais chato de 2011 no RN para o Novo Jornal, me acusou de ser adepto de teorias conspiratórias e acreditar que a direita potiguar me persegue.  Mas a história que vou contar a seguir não é um exagero.  Nem sei se seria uma forma de censura.  Ou de tentativa.
Duas semanas atrás vi uma publicação daquele jornalista que não gosta muito de mim - e cuja recíproca é evidentemente verdadeira -, anunciando que uma investigação havia revelado que um blog da cidade era atualizado desde uma "repartição pública federal".  Imaginei que ele podia estar falando em mim, mesmo que eu não trabalhe em uma "repartição pública federal", mas sim numa coisa mais ou menos parecida - sobre a qual jamais falo, falei ou falarei neste blog, que é um espaço de militância política, um pouco de jornalismo e informação, mas que não se confunde com meu trabalho remunerado.
Nesta quinta-feira recebi uma informação que pretende modificar minha relação com esse espaço, mas que revela que, de algum modo, eu realmente provoco incômodos, mesmo sem teorias conspiratórias.  Em conversa formal comigo, minha chefe me informou que foi comunicada oficialmente por parte de algum representante da Assembleia Legislativa, que ela não identificou - nem quem era nem se era algum deputado: meu nome é referido naquela casa relacionando minhas postagens à empresa em que trabalho. Aparentemente, pelo teor de nossa conversa, quem lhe comunicou o fato pretendia me ver impedido de publicar meu blog.  A única exigência que me foi feita, no entanto, é que eu não devo publicar nada nos horários de expediente - ainda que esse seja um controle difícil de ser feito e eu tenha condições de utilizar quaisquer ferramentas, tais quais programar as publicações para serem realizadas nos horários mais adequados ou utilizar meus dispositivos pessoais para isso (iPhone, iPad ou notebook).
Estou sendo oficialmente monitorado neste espaço.  Inclusive com a recomendação de ter cuidado com os conteúdos mais críticos que publico.
Parece que pareço incomodar.  Ou teria outro motivo uma solicitação, formal, por parte de alguém da Assembleia Legislativa, ao meu empregador para que aumente o controle sobre mim?


Comentários

  1. Boa sorte na sua atividade de notória evidência. Ficamos na torcida para que tais ameaças não se concretizem em atos de censura deliberada. Nossos blogs, a mídia alternativa de modo geral e os parcos espaços abertos ao contraditório na grande mídia certamente não assistirão passivos a esse tipo aparentemente inofensivo de violência.

    Saudações.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas