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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Os "peixe" do grupo Folha/UOL

Em maio passado, o grupo Folha/UOL foi um dos que criticou o material distribuído pelo MEC em que se explicava as questões referentes à norma padrão e às formas não-padrão da língua portuguesa.  Em texto, por exemplo, publicado em 14 de maio, já trazia no título seu claro posicionamento ("Livro distribuído pelo MEC defende errar concordância").  Para criticar o texto, a matéria da Folha recorreu a dois dos maiores representantes da corrente que enfatiza a gramática como a única forma da língua portuguesa: Evanildo Bechara e Pasquale Cipro Neto:

O linguista Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, critica os PCNs [Parâmetros Currículares Nacionais].
"Há uma confusão entre o que se espera da pesquisa de um cientista e a tarefa de um professor. Se o professor diz que o aluno pode continuar falando 'nós vai' porque isso não está errado, então esse é o pior tipo de pedagogia, a da mesmice cultural", diz.
"Se um indivíduo vai para a escola, é porque busca ascensão social. E isso demanda da escola que lhe ensine novas formas de pensar, agir e falar", continua Bechara.
Pasquale Cipro Neto, colunista da Folha, alerta para o risco de exageros. "Uma coisa é manifestar preconceito contra quem quer que seja por causa da expressão que ela usa. Mas isso não quer dizer que qualquer variedade da língua é adequada a qualquer situação."
Pois é.  Nada como um dia depois do outro.


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