No blog Opinião e Notícia
Nesta sexta-feira, 20, completam-se dez anos da morte de Celso
Daniel, o ex-prefeito petista da cidade de Santo André, no ABC
paulista, sequestrado e assassinado em janeiro de 2002. Seu corpo foi
encontrado em uma estrada de terra no município paulista de Juquitiba
alvejado por oito tiros.
Uma década depois, após dois mandatos presidenciais de Lula e um ano
de governo Dilma, ou seja, após nove anos de governo do PT, o
assassinato brutal do homem que era cotado para coordenar a campanha
que enfim levaria o partido ao poder no Brasil — e que era tido como
estrela ascendente da legenda — permanece sem solução.
O caso Celso Daniel já foi reaberto duas vezes. Já esteve nas mãos
da Polícia Civil e do Ministério Público. A tese da polícia, aplaudida
pelo PT, é a de que Celso Daniel foi vítima de crime comum, encomendado
pelo amigo e ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, que estava
com Celso na noite em que ele foi sequestrado.
O Ministério Público acusou oito pessoas pela morte de Celso Daniel.
Até hoje, só um dos implicados no crime, Marcos Bispo dos Santos, foi
julgado, à revelia, e condenado a 18 anos de prisão. O “Sombra”, que
nega veementemente ter participado do crime, deve ir a juri popular
neste ano.
A promotoria, entretanto, refuta a tese de crime comum abraçada pela
polícia e avalizada pelo PT, dizendo que Celso Daniel foi assassinado
porque teria descoberto um esquema de corrupção na prefeitura de Santo
de André que servia para desviar dinheiro para um caixa dois do Partido
dos Trabalhadores usado para financiar campanhas eleitorais.
Queimas de arquivo
No julgamento de Marcos Bispo dos Santos, o promotor Francisco
Cembranelli disse aos jurados que Celso Daniel “tinha ciência da
corrupção e contrataram sua morte quando ameaçou tomar providências”.
O PT, por seu turno, acusa os promotores de tentarem politizar a
morte de Celso Daniel. Pessoas que eram ligadas ao ex-prefeito e que
hoje ocupam cargos do alto escalão do governo federal, como o
ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República,
Gilberto Carvalho, assessor da prefeitura de Santo André quando da
morte de Celso, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, viúva do
prefeito morto, tentam ignorar os sangrentos desdobramentos do
assassinato do ex-prefeito de Santo André, com a morte de nada menos do
que sete pessoas ligadas ao crime, entre testemunhas e acusados de
participação no homicídio.
Três meses depois do assassinato de Celso Daniel, o preso Dionísio
Severo, ligado a Sérgio “Sombra”, foi morto na cadeia apenas dois dias
após ter dito que teria informações sobre o caso. Ele foi resgatado da
prisão de helicóptero dois dias antes da morte de Celso e, depois,
recapturado. O homem que deu abrigo ao foragido neste meio tempo,
Sérgio “Orelha”, também foi assassinado, bem como Otávio Mercier,
investigador de polícia que ligou para Severo na véspera do sequestro
de Celso Daniel.
Bruno Daniel denuncia Gilberto Carvalho
Não perca a conta: o garçom que na noite do sequestro do ex-prefeito
serviu a mesa de uma churrascaria em São Paulo em que estavam Celso
Daniel e Sérgio “Sombra” foi assassinado em fevereiro de 2003. Quando
morreu, portava documentos falsos e tinha recebido na conta bancária um
depósito de R$ 60 mil. A única testemunha da morte do garçom, Paulo
Henrique Brito, morreu 20 dias depois com um tiro nas costas. Com dois
tiros nas costas morreu em dezembro do mesmo ano o agente funerário
Ivan Moraes Rédua, a primeira pessoa a reconhecer o corpo de Celso
Daniel, quando ele ainda estava jogado na estrada de chão.
A última pessoa ligada ao caso que morreu, até agora, foi o
médico-legista Carlos Delmonte Printes, que examinou o cadáver de Celso
Daniel. O médico vinha dizendo que o ex-prefeito de Santo André foi
brutalmente torturado antes de ser morto. Em setembro de 2005 ele
chegou a ir no programa do Jô Soares, da Rede Globo, onde disse que
recebeu pressão de políticos para aceitar a tese de crime comum. Um mês
depois foi encontrado morto em seu escritório, na Zona Sul de São
Paulo. Algum outro legista atestou suicídio.
Na última quarta-feira, 18, um dos irmãos de Celso Daniel, Bruno
Daniel — que viveu anos exilado na França na condição de refugiado
político devido às ameças que sofreu por sua insistência em elucidar o
crime — apareceu dando uma entrevista à Band na qual afirmou que
Gilberto Carvalho levou “em seu corsinha preto” R$ 1,2 milhão em
propina arrecadada em Santo André para entregar a José Dirceu, que
teria dado encaminhamento para o dinheiro ser usado na campanha de Lula
em 2002.
Crime comum?
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