Na Tribuna do Norte
A juíza titular da 6ª Vara Criminal de Natal, Emanuella Cristina
Pereira Fernandes, determinou a soltura de três acusados detidos na
Operação Sinal Fechado no início da noite de ontem. A liminar foi
favorável ao advogado potiguar Caio Biagio Zuliani e aos empresários
paranaenses Flávio Ganem Rillo e Nilton José de Meira. A magistrada
determinou, também, que o contrato entre o Detran/RN e Planet Business
Ltda, empresa paranaense que operacionaliza a Central de Registro de
Contratos (CRC), seja imediatamente cancelado.

Apesar
da decisão da juíza, a soltura de Caio Biagio Zuliani foi garantida
ontem por um alvará assinado pelo juiz José Herval Sampaio Júnior,
sendo este o primeiro habeas corpus favorável a um dos acusados detidos
de forma preventiva. Por volta das 20h15min, o denunciado pelo
Ministério Público de participação em fraudes no Detran/RN, assinou o
documento que lhe concedia possibilidade de responder às acusações em
liberdade. De calça jeans, tênis, camisa manga longa e boné azul, ele
deixou o Quartel do Comando Geral sem conceder entrevista.
O
magistrado José Herval Sampaio Júnior, convocado pelo Tribunal de
Justiça para julgar o mérito do habeas corpus impetrado pela defesa de
Caio Biagio, deferiu o pedido favorável ao potiguar paralelamente à
decisão da juíza Emanuella Cristina. Herval Sampaio entendeu que
"evidente a ausência do fundamento da preventiva, frise-se, ultima
ratio, por inexistir motivos concretos que justifiquem a medida
segregacional, sendo portanto desnecessária a manutenção da prisão,
defiro a liminar pleiteada, para que Caio Biagio Zuliani possa
responder ao processo em liberdade".
De acordo com decisão da
magistrada Emanuella Cristina Pereira Fernandes, foram atendidos os
pedidos dos denunciados - Caio Biagio Zuliani, Flávio Ganem Rillo e
Nilton José de Meira - "para revogar a prisão preventiva adredemente
decretada e substitui-la por medidas cautelares alternativas". Ela
indeferiu, entretanto, o pedido de relaxamento de prisão impetrado pelo
empresário paulista Carlos Alberto Zafred Marcelino, que é considerado
foragido de Justiça. "O que é incabível... pois tinha função central no
estratagema montado para a fraude relativa à inspeção veicular",
argumentou a juíza.
Apesar da decisão de Emanuella Cristina
Pereira Fernandes ter sido favorável ao potiguar e aos paranaenses
envolvidos na Operação Sinal Fechado, algumas restrições foram feitas.
A manutenção da liberdade destes acusados está diretamente ligada ao
fiel cumprimento do que foi imposto pela titular da 6ª Vara Criminal.
A
Caio Biagio ficou determinado que "compareça em juízo a cada três meses
para justificar suas atividades; proibição de que frequente cartórios,
o Detran/RN, as empresas "Planet Business", GO Desenvolvimento de
Negócios, "George Olímpio" Advogados, Inspetrans e as demais empresas
relacionadas na denúncia; a suspensão do exercício da advocacia pelo
prazo mínimo de um ano, dado o justo receio de que pode usar da função
para a prática de novos crimes e a proibição de entrar em contato com
qualquer dos outros denunciados durante o transcurso da ação penal
principal".
Aos empresários paranaenses proprietários da Planet
Business Ltda, Flávio Ganem Rillo e Nilton José de Meira, couberam as
mesmas recomendações com um diferencial. A juíza determinou "a imediata
suspensão do contrato com a CRC/Detran/RN e a proibição de participar
de qualquer outra licitação pública até o encerramento do processo
principal". A expectativa é de que a juíza se manifeste acerca dos
demais denunciados ainda esta semana.
Justiça não se pronunciou sobre denúncias do MP
Faltando
menos de uma semana para o início do recesso no Tribunal de Justiça do
Rio Grande do Norte, os desdobramentos da Operação Sinal Fechado são
uma incógnita. Após 20 dias da ação do Ministério Público Estadual, que
culminou com a prisão de treze pessoas no Rio Grande do Norte, Paraná,
Rio Grande do Sul e São Paulo, as informações acerca da denúncia
impetrada pelo MP são liberadas paulatinamente.
A expectativa
dos acusados que continuam presos de forma preventiva e de mais 27
denunciados pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, se
concentra em torno da decisão da juíza titular da 6ª Vara Criminal,
Emanuella Cristina Pereira Fernandes, que analisa a denúncia oferecida
pelo Ministério Público no dia 2 de dezembro.
Os advogados de
defesa dos supostos envolvidos no esquema de corrupção e pagamento de
propina no Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RN), acreditam que
a decisão da magistrada seja proferida até a próxima sexta-feira. Desde
que a Operação Sinal Fechado foi deflagrada, a juíza Emanuella Cristina
Pereira Fernandes não concedeu entrevistas.
As informações
relacionadas ao processo são repassadas pelos funcionários da
Secretaria da 6ª Vara Criminal e pela assessoria de imprensa do
Tribunal de Justiça. Ontem, um dos servidores da 6ª Vara Criminal
afirmou que a juíza está se dedicando à análise das denúncias
minuciosamente e rebateu as notícias de que a magistrada fracionaria a
peça para dar mais celeridade ao julgamento das denúncias.
Sobre
a permanência de Fabiano Lindemberg Santos Romeiro e Edson César
Cavalcante Silva no Quartel da Polícia Militar, o funcionário afirmou
que irá checar os motivos pelos quais a decisão da juíza ainda não foi
cumprida. Até o inicio da noite de ontem, os acusados permaneciam na
sede da Polícia Militar.
Vice-presidente da OAB diz que prisões são desnecessárias
O
vice-presidente da Ordem do Advogados do Brasil (OAB) no Rio Grande do
Norte, Aldo Medeiros, analisou que a manutenção das prisões dos
advogados George Anderson Olímpio da Silveira e Marcus Vinícius Furtado
da Cunha são desnecessárias a partir de agora. "Eles (os acusados) não
representam mais riscos ao andamento do processo, diante do que já foi
publicado", defendeu. Aldo Medeiros comentou que a continuidade da
prisão é prejudicial ao processo e à própria sociedade.
Visto
que, os advogados que foram detidos há exatos 20 dias não estão em
"Sala de Estado Maior", que consiste em um tipo de detenção específica
para magistrados e advogados, sem grades e portas fechadas, como as
celas do sistema prisional comum. "Eles estão ocupando um espaço
destinado aos oficiais da Polícia Militar. Os depoimentos já foram
colhidos, as buscas e apreensões de documentos e computadores foram
realizadas e, por isso, eu considero a prisão desnecessária", alegou o
vice-presidente da OAB/RN.
De acordo com ele, a instituição
atua na manutenção dos direitos dos advogados como profissionais não
condenados, justificando o posicionamento da OAB em relação à
manutenção das prisões dos advogados acusados de participação nas
fraude do Detran/RN.
Desde que a denúncia foi oferecida à
Justiça pelo Ministério Público, as movimentações em torno do processo
se restringem, em sua maioria, à juntada de documentos e expedição de
ofícios. Ao longo de 20 dias de investigação, a juíza se manifestou
através de decisões duas vezes. Ontem, em mais uma tentativa de relaxar
a prisão do contador Fabiano Lindemberg Santos Romeiro, o advogado João
Cabral da Silvam impetrou mais um habeas corpus no Tribunal de Justiça.
"A gente entende que não há motivos para a prisão preventiva
ser mantida. Se tivermos o pedido de relaxamento de prisão negado,
recorreremos ao Superior Tribunal de Justiça", defendeu João Cabral.
Sobre a decisão da magistrada Emanuella Cristina Pereira Fernandes em
transferir Fabiano Lindemberg e Edson César Cavalcante Silva para o
sistema prisional comum, João Cabral reconheceu que o procedimento
adotado pela juíza está correto.
Entretanto, oito dias após a
determinação da transferência, tanto Fabiano Lindemberg quanto Edson
César continuam detidos no Quartel do Comando Geral. Dos dois, somente
Fabiano é portador de diploma de ensino superior e tem direito a uma
cela especial no sistema prisional comum. Edson César terá de ser
transferido para uma cela comum.
Questionado sobre os
argumentos utilizados pela magistrada para manter a prisão preventiva
de George Anderson Olímpio da Silveira, considerado o mentor do esquema
de corrupção, o advogado Fabiano Falcão preferiu não tecer comentários.
O primeiro pedido de relaxamento de prisão de George Olímpio foi negado
pelo juiz convocado pelo Tribunal de Justiça, José Herval Sampaio
Júnior.
Entretanto, a assessoria de imprensa do escritório de
advocacia que defende George Olímpio, afirmou que uma nova petição
seria enviada ontem ao Superior Tribunal de Justiça solicitando a
liberação do acusado. Até às 22h, porém, nenhum documento relativo ao
pedido de relaxamento de prisão de George Olímpio havia dado entrada no
sistema virtual do Superior Tribunal de Justiça.
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