Entrevistei, por e-mail, o Procurador Geral de Justiça, Manoel Onofre Neto. Onofre reafirmou o compromisso do Ministério Público com as investigações em andamento, esclarecendo, inclusive, equívocos cometidos por mim em posts anteriores. "Eventualmente em potencial crime atribuído a uma
chefe do Executivo estadual essa investigação seria competência não do
Procurador-Geral de Justiça, mas do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
e do Procurador-Geral da República", disse Onofre.
O Procurador Geral negou, também, informações de que haveria uma espécie de nepotismo cruzado entre o Ministério Público estadual e a prefeitura municipal de Natal. "O Ministério Público do Rio Grande do Norte desconhece essa situação e reforça autonomia no desempenho do seu papel", disse.
Como disse neste post, duas fontes diferentes me afirmaram que houve um
jantar entre o Procurador-Geral de Justiça e o primeiro-cavalheiro
alguns dias atrás. Segundo me disseram, o tema da conversa era uma
negociação para blindar o atual governo nas atuais investigações, uma
vez que seria responsabilidade do PGJ a denúncia contra a governadora,
caso fosse necessário. Você tem algo a dizer sobre isso?
Caro
Daniel Dantas suas fontes afirmaram algo que efetivamente não ocorreu.
Não jantei com o senhor Carlos Augusto Rosado, muito menos para
discutir a possibilidade de blindar quem quer que fosse. O Ministério
Público Potiguar sempre cumpre suas atribuições constitucionais e
institucionais. E eventualmente em potencial crime atribuído a uma
chefe do Executivo estadual essa investigação seria competência não do
Procurador-Geral de Justiça, mas do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
e do Procurador-Geral da República.
Se os promotores
de defesa do patrimônio público levantarem evidências e provas de que a
organização criminosa denunciada pela Operação Sinal Fechado continuou
operando no governo Rosalba, podemos ter garantia de que a governadora
será denunciada? Pergunto isso, evidentemente, pela consciência da
enorme pressão política que o PGJ deve sofrer em um caso assim.
Reafirmo
que o Ministério Público do Rio Grande do Norte é reconhecido
nacionalmente como uma instituição aguerrida exatamente por isso, pelo
fato de cumprir seu papel, independente de quem esteja envolvido, nesse
ou naquele caso.
De maneira semelhante, sobre a
Operação Pecado Capital, caso se comprove o envolvimento de deputados
estaduais referidos nos documentos (Dibson Nasser, Gilson Moura e Fábio
Dantas) em ilícitos, quem será responsável por denunciá-los, uma vez
que o caso foi transferido para a esfera federal?
Qualquer
crime contra interesses da União, praticado por agentes que tenham
prerrogativa de foro no âmbito estadual é investigado pelo Ministério
Público Federal e o processo corre no Tribunal Regional Federal (TRF)
correspondente, como é o caso específico por você citado.
Uma fonte me disse, também, que as investigações de ilícitos de
diversas áreas cometidos no âmbito da prefeitura de Natal não avançam
porque diversos promotores possuem parentes com cargos na gestão
municipal, numa espécie de nepotismo cruzado. Por outro lado, isso me
chama a atenção em relação à Sinal Fechado porque vemos dois auxiliares
diretos da ex-governadora Wilma na prefeitura atualmente - um deles
convocado como testemunha pelo MP. Você tem informações sobre isso? Em
caso de ser verdade, o que pode ser feito para enfrentar a situação?
O Ministério Público do Rio Grande do Norte desconhece essa situação e reforça autonomia no desempenho do seu papel.
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