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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A sacralização do mito: editora do Valor muda fala de Lula e inventa uma tese





No Blog do Rovai

Maria Cristina Fernandes, editora de política do Valor Econômico, assina um artigo no jornal de hoje cujo título é “O Dono da Voz”. O texto pode ser lido no Vermelho, infelizmente sem nenhuma observação crítica.
Lá pelas tantas ela diz que “está em curso, capitaneada pelo próprio enfermo, a sacralização do mito”.
Segundo ela, Lula teria dito que “nenhum ser humano pode se deixar vencer por uma dor ou por um câncer. Temos que lutar. Foi para isso que vim à terra. Para lutar e para melhorar a vida de todo mundo“.
Lula não disse isso.A editora do Valor ou se enganou (e aí precisa se desculpar) ou distorce a frase para contribuir com a campanha já iniciada pela mídia tradicional, a de que o ex-presidente vai tentar tirar proveito político da sua doença.
Abaixo reproduzo a gravação que está disponível no Youtube.
Vá até o trecho que se inicia no 1m30s e veja que Lula diz: “Temos que lutar, afinal de contas foi pra isso que nós viemos para a terra, pra lutar, pra melhorar a vida de todo mundo.”
A frase diz “nós”, ou seja, eu, você, outros e ele também. E está conjugada com o viemos (sem o “s”, porque o Lula às vezes como o “s”), mas é bem diferente do sentido de “foi para isso que vim à terra, pra lutar e melhorar a vida de todo mundo”.
E não tem nada de messiânico.
A partir de agora, você vai ouvir muita gente dizendo que Lula está querendo se aproveitar do seu câncer.
E de repente alguém vai usar essa frase distorcida para comprovar tal tese.
É assim que a mídia tradicional vai construindo suas versões. À base de distorções e mentiras jornalísticas.

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