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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Prisão de Nem foi uma rendição negociada





As forças de segurança do RJ e a grande imprensa venderam a prisão do líder do crime organizado na Rocinha como uma vitória histórica na guerra contra o tráfico.  Construíram os mitos de heróicos policiais que não se renderam às tentativas de suborno.
No entanto, elementos surgidos nos últimos dias - conteúdo de entrevista de Nem a Ruth Aquino, entrevista de chefes do sistema de segurança do Rio de Janeiro, além do conteúdo de SMS trocados por policiais que negociavam a rendição do traficante - deixaram claro que o que aconteceu na semana passada foi uma rendição negociada, não uma prisão.  Que aconteceu na semana em que a Rocinha seria ocupada.
A matéria da Folha de São Paulo, abaixo, é mais um elemento nesse conjunto.



Nos últimos dias como proprietário informal da favela da Rocinha, o traficante Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, deu cinco dias de festas regadas a cerveja e música, segundo moradores. Foi entre o fim de outubro e o início deste mês, afirmam.
Segundo essas pessoas, que falaram sob condição de anonimato, as festas foram despedida dos tempos de "reinado" e, também, para comemorar a vitória de uma chapa da associação de moradores que ele apoiaria.
Alguns eleitores alegam ter havido compra de voto.
Cabos eleitorais ganharam R$ 50 para levar consigo três eleitores compromissados em votar na chapa apoiada pelo traficante. Dos 5.200 votos, a chapa teve quase 4.000.
Presidente eleito da UPMMR (União Pró Melhoramentos dos Moradores da Rocinha), Leonardo Lima nega ligação com o traficante. Disse ainda que associação nunca teve vínculo com ninguém.
"Se fosse assim, eu tinha levado 500 pessoas e ficaria rico", afirmou, dizendo desconhecer as festas que, segundo moradores, Nem promoveu.

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