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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Líbia: Tawargha, cidade negra, exterminada


No Blog MidiaCrucis

Tawargha, cidade negra. Cidade de cidadãos líbios, emigrados, sobreviventes, herdeiros, nascidos, adaptados. Fugidos da África da miséria. Cidadãos, trabalhadores, acolhidos, protagonistas de uma nova vida. 40 mil. Prova viva da unidade da África, negra, árabe, beduína, multicolor.

Hoje não existe mais. Exterminada, queimada, destruida pela fúria da Otan. Pelo fascismo colonialista. Pela barbárie, pelo racismo exacerbado, pelo ódio dos colonizadores, dos inocentes úteis, dos iludidos do liberal-fascismo entusiasmados com o sangue e a fúria do neoimperialismo.Racismo ao estado puro. Justificado pela culta imprensa a burguesia europeia, a decadente, a moribunda, a que não lavou as mãos ainda das guerras coloniais, das guerras imperiais, das guerras imperialistas, das guerras anticomunistas, e agora das guerras neocolonialistas.

Ela mente, oculta, distorce, avilta. Acusa os negros assassinados, famílias inteiras, crianças, trabalhadores, idosos, todos se tornam “cúmplices de Khadafi”. Daí tudo é justo, os “rebeldes” colonizados fazem orgia de sangue, de ódio. Mulheres violentadas. Crianças desaparecidas, massacradas, fossas comuns. Quem contará esta história por inteiro? É o nazismo ressurgido, marca Otan. Otan, Otan, Otan, NATO, NATO!!!!! É preciso gritar ao mundo, aí está o IV REICH!!!

Nada ocorre na “culta” Europa, nada ocorre no berço da civilização, a Itália. Bunga-bunga, fascismo moderno, euforia tecnológica. Os pensadores, os socialdemocráticos, os democráticos, onde estão? Nada, o deserto. Só resta o lamento, o problema são os banqueiros, os políticos, os partidos falidos, a falta de orientação dos jovens, o desemprego, a falta de horizonte. A CIVILIZAÇÃO DECADENTE.
Tawargha. Difícil de lembrar esse nome. Quem lembrará? Não há mais edifícios, todos queimados. Um por um. Não há mais escolas, não há mais crianças, os mercados, não há o que vender, as hortas, elas secaram, os donos não existem mais. Terra arrasada. Não há mais arquivos, cartórios, memória. Não há mais certidões de nascimento. Só um rastro de sangue e fogo. CRIME DA NATO. Meu Deus, é possível que ninguém veja, ninguém reaja, ninguém proclame aos quatro ventos tremenda injustiça?? 40 mil negros, gente trabalhadora, gente bela, gente lutadora. Todos mortos, desaparecidos, cancelados da face da Terra. Aqueles irmãos que migraram do norte da África em busca de um país onde algo se fazia, algo se construía, onde havia um emprego, onde havia acolhida, direito de cidadania. Ao contrário dos seus irmãos que ousaram cruzar o Mediterrâneo lá mais para o Norte, para o sul da Itália, para o sul da Espanha, “infiltrados” na velha Europa, humilhados, perseguidos, explorados, deportados. Na Líbia haviam encontrado hospitalidade, trabalho, dignidade. Agora, a morte.
Juntaram-se a Khadafi, ao seu corpo martirizado. Aquele que permitiu com sua revolução a todos os líbios terem uma oportunidade, cuidarem da saúde, frequentar uma universidade, viver com dignidade.

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