Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Discurso e linguagem: Quando uma ocupação é invadida

Não existe exemplo mais clichê acerca do fato linguístico de que o signo é uma arena de disputa ideológica.  Ainda assim, não deixa de se repetir.
Agora há pouco, André Trigueiro e Luís Fernando Silva Pinto travaram um bom diálogo comentando os movimentos de ocupação nos Estados Unidos, a partir das ações do #OccupyWallStreet, mas falando também das violências que se repetem em Oakland, na Califórnia.  Trigueiro, de forma inesperada, afirmou que os movimentos globais lutam contra o sistema financeiro internacional - e não contra a crise econômica, conforme a versão vendida pelos jornais da Globo.
Silva Pinto lembrou o caso do veterano Scott Olsen, ferido com gravidade na cabeça por um projétil de bomba de gás.  O repórter destacou que o militar voltou do Iraque sem nenhum ferimento para ser atingido dessa maneira em um protesto em casa.
Bastaram alguns minutos para a ocupação ser invadida.  A matéria sobre a ocupação da reitoria da USP foi anunciada no mesmo bloco do jornal, para ser exibida no bloco seguinte.  Para a Globonews, a reitoria foi invadida por estudantes armados com paus e fazendo vandalismo.  Os invasores têm 24 horas para deixar o prédio.
Se a matéria sobre o occupy destacou as causas do movimento, sua perspectiva de futuro, etc., a matéria sobre a USP exibiu as imagens do circuito de tevê mostrando a entrada dos estudantes, as suas tentativas de quebrar as câmeras de segurança.  Estudantes sem futuro e sem causa.

Enquadramento para despertar interesse sobre os EUA, descrédito aos estudantes brasileiros.  E sem sequer levantar a hipótese de que o que acontece aqui e o que acontece lá pode ter alguma relação.

Comentários

Postagens mais visitadas