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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A Grécia e o colapso da democracia




George Papandreou, o social-democrata de araque, já não é mais primeiro-ministro da Grécia. Num acordo firmado na noite de ontem (6) com o principal partido da direita no país, ficou acertada a formação de um governo de coalizão para impor o “pacote de austeridade fiscal” exigido pelos banqueiros da Europa e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O fim melancólico de Papandreou, que foi eleito com promessas de mudanças e traiu todas as expectativas dos gregos, evidencia o colapso da democracia burguesa, controlada pelas corporações capitalistas. Para socorrer os rentistas, principais culpados pela grave crise econômica mundial, o governo “social-democrata” bancou bilhões de euros dos cofres públicos. Recuo vergonhoso no referendo

A operação salva-banqueiro só agravou a crise fiscal do estado grego. Diante do caos econômico, Papandreou aceitou as novas ordens dos banqueiros e decidiu promover drásticos cortes nos gastos públicos, com demissões de servidores, cortes de salário e privatizações. Os gregos foram às ruas. Os trabalhadores já realizaram 11 greves gerais nestes dois anos de tormenta.

Diante da resistência, o vacilante “social-democrata” chegou a sinalizar com um recuo, propondo um referendo para aprovar o “plano de austeridade”. A gritaria do deus-mercado foi imediata e, novamente, ele recuou. Na prática, ficou evidente que a tal democracia burguesa é um disfarce da ditadura do mercado. O povo vota, mas quem manda é a oligarquia financeiro.

Convulsão social ou golpe militar?

Agora, Papandreou cede o trono e negocia com a direita grega para impor o projeto dos banqueiros. Há quem afirme que o país caminha celeremente para uma convulsão social. Os trabalhadores não aceitarão pagar o ônus da crise. Há boatos, também, de que setores militares orquestram um novo golpe – a Grécia teve uma das ditaduras mais sanguinárias no pós II Guerra Mundial.

As forças de direita da Europa e os banqueiros saudaram a decisão de Papandreou de recuar no referendo e de formar o governo de coalizão. Merkel (Alemanha), Sarkozy (França) e Berlusconi (Itália) elogiaram a rendição do social-democrata de araque. Eles temem que a crise grega agrave o colapso europeu e enterre o euro. Mas será que os gregos aceitarão a vergonhosa manobra?

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