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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A UNE e a pauta da educação pública

Por Daniel Iliescu
Na Folha de São Paulo

Dentre as organizações sociais brasileiras, o movimento estudantil é, a um só tempo, a mais tradicional e a mais renovada. Aproximando-se dos seus 75 anos, a União Nacional dos Estudantes (UNE) chega à segunda década deste século consciente dos temas realmente prioritários para o presente e para o futuro das pessoas e do país. Em artigo publicado nesta Folha no último domingo, o companheiro do Centro Acadêmico XXII de Agosto da PUC-SP elogia o histórico de lutas da UNE e sua importância para a democracia brasileira. No entanto, diz ser necessário que a entidade "retome para si a responsabilidade de lutar pelas causas nacionais, no geral, e pela melhoria do ensino, em particular". Não há como entender a crítica do colega de lutas no ano em que promovemos uma enorme mobilização em defesa da educação pública: a reivindicação da destinação ao setor de 10% do PIB e de 50% do fundo social do pré-sal. Esse foi o tema do 52º Congresso da UNE, em julho, cujo processo eleitoral envolveu mais de 1,6 milhão de estudantes, de 97% das universidades do país e perfis diversos, filiados ou não a partidos políticos. Também foi o mote das manifestações e atos públicos do Agosto Verde e Amarelo. Foi ainda sob a mesma pauta que se deu a Marcha dos Estudantes, no dia 31 do mesmo mês, com 12 mil jovens em Brasília. As reivindicações da UNE são fruto do debate plural e amadurecido da entidade. Há consenso na sociedade brasileira sobre a necessidade de ajustes no Plano Nacional de Educação (PNE), que deverá ser votado pelo Congresso nos próximos meses e que sugere ampliação dos investimentos públicos no setor para apenas 7% do PIB até 2014. Esse percentual é insuficiente. Os investimentos defendidos pela UNE serão cruciais para erradicar o analfabetismo, melhorar a estrutura e a qualidade das escolas, aumentar o salário dos professores, alcançar um ensino de excelência tanto nas metrópoles quanto nas zonas rurais, promover o esporte e a cultura no ambiente escolar, além de democratizar o acesso e ampliar o investimento na universidade. O movimento estudantil brasileiro sabe que essa é a verdadeira prioridade. Investir mais na educação é o único caminho para superar problemas históricos, combater a desigualdade, distribuir renda, gerar conhecimento, vencer a pobreza e os preconceitos de todos os tipos, atacar a corrupção, valorizar a política e a ética em todas as relações. No último dia 7, a UNE divulgou carta aos estudantes. O documento pede a aprovação da reforma política ampla, que fortaleça a democracia e a participação popular e combata a corrupção e o privilégio de poucos. Aliás, combater a corrupção é um processo permanente, só efetivo com a educação do povo. Ciente de sua responsabilidade histórica com o Brasil, a UNE agora amplia sua campanha lançando um abaixo-assinado em seu site ( www.une.org.br ) pedindo a contribuição dos milhões de brasileiras e brasileiros na reivindicação dos 10% do PIB e dos 50% do fundo social do pré-sal para a educação. Convidamos as organizações e cada cidadão em particular para ajudar no recolhimento de assinaturas e fazer parte desse movimento.

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