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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A nova não-denuncia de Veja

Ontem, mais uma vez como durante a semana, o Ministério do Esporte rebateu, em nota as denúncias feitas a profusão.  Veja de hoje prometia uma bomba - transformada num traque.  Nenhuma novidade, nenhuma gravação, nenhuma prova.
A principal "novidade" não era nova: João Dias se reuniu com assessores do ministério em 7 de abril de 2008 pedindo mais tempo para prestar contas do Segundo Tempo, uma vez que a pasta tinha enviado, cinco dias antes, ofício à Polícia Militar informando os problemas com prestação de contas das duas ONGs do PM.  O ministério concedeu prorrogação de prazo.
E daí?

Daí nada.  Chegou agosto e o PM não conseguiu comprovar a prestação de contas.  E tudo retornou ao cenário do início de abril.  Isso já havia sido antecipado pelo ministério do esporte:

ARGUMENTO FALSO: O ministério encaminhou à Polícia Militar/DF um ofício com denúncias das irregularidades cometidas por João Dias e, em seguida recuou, enviando um segundo documento pedindo que o primeiro fosse desconsiderado.
ESCLARECIMENTO: Não há outra qualificação para o tratamento dessas informações pela mídia que não seja má-fé. Vamos aos fatos: em janeiro de 2008, um parecer da assessoria técnica do ministério relacionou as irregularidades cometidas por João Dias e sugeriu a rescisão dos convênios.
Em 2 de abril de 2008, o Ministério do Esporte atendeu pedido do oficial da PM encarregado da sindicância contra João Dias e enviou ofício com informações sobre as irregularidades cometidas pelo soldado nos convênios assinados com o ministério. Nesse documento constam as providências adotadas pelo ME, inclusive a exigência de devolução dos recursos transferidos às organizações dirigidas por João Dias.)
Em sete de abril, João Dias pediu ao Ministério do Esporte a prorrogação do prazo de prestação de contas. (Nenhum veículo fez referência a esse pedido). Para garantir a ele o direito de defesa, o Ministério pediu à PM que desconsiderasse o ofício anterior até que fosse concluída a análise da prestação de contas (Esse documento foi publicado e citado pela mídia como resultado de pressão de João Dias).
Em 19 de agosto de 2009, esgotados todos os prazos sem que nada fosse regularizado, um novo ofício foi enviado ao oficial encarregado do inquérito contra João Dias. Nesse documento, o Ministério reitera a decisão de instaurar Tomada de Contas Especial e encaminhar os processos à Secretaria Federal de Controle Interno (NENHUM VEÍCULO FEZ QUALQUER REFERÊNCIA A ESSE TERCEIRO OFÍCIO, EMBORA TODOS TENHAM RECEBIDO).
A conclusão da sindicância da PM/DF se deu no começo de 2011.
Temos pela frente a ótima oportunidade de profissionalizar e tornar ético o fazer jornalístico no país.  Fortalecer a luta por mais democracia na comunicação.  É preciso que se faça jornalismo no Brasil, não calunismo.
Como disse ontem para um amigo pelo twitter, a questão de fundo aqui, além da honra do PC do B, não é defender o governo ou o ministro.  É não permitir que a mídia execute aqueles que acusa, julga e condena em seu "tribunal de exceção" sem apresentação de uma única prova.

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