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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Mídia quer apresentar um corpo



Na manhã de hoje o mundo recebeu a confirmação que os insurgentes líbios haviam encontrado, com o auxílio inestimável da OTAN, o esconderijo de Muammar Gaddafi.  As primeiras informações foram desencontradas: Gaddafi estava vivo, morto, ferido.  Importava que havia sido capturado.  Depois, confirmou-se a sua morte.

Em que circunstâncias morreu Gaddafi?  Por mais que o governo interino solte notas e reitere notas, ficou claro nos dois vídeos divulgados pelo Youtube - e reproduzidos neste blog -, que Gaddafi foi capturado ferido, mas vivo.  Depois, foi executado.  Na verdade, linchado e morto com um tiro na cabeça.
Pode parecer, mas não escrevo esse post para falar de Gaddafi.  Capturado, julgado, condenado e morto em questão de minutos.  Sem direito a um julgamento justo.  Alvo de uma vingança.
Quando vi as imagens de Gaddafi vivo e, logo depois, morto, me lembrei de Orlando Silva.  São imagens assim que esperam ter as oposições e a mídia.  Desde o fim de semana, Orlando Silva é alvo de um linchamento em praça pública.  A imprensa, liderada pela Veja, quer o seu cadáver exposto em praça pública.  Julgado, condenado, executado no tribunal da mídia, sem direito ao contraditório, à defesa e sem que nenhuma prova tenha sido apresentada.
A mídia no Brasil quer de Orlando o mesmo destino de Gaddafi.  Se Dilma permitir dirá com clareza que não pode exercer o cargo que exerce com o apoio das forças populares e democráticas do país.  Executar um pai de família sem julgamento e direito de defesa, com falta de provas, não é coisa de governo popular e democrático.  Pelo contrário

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