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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Mídia quer apresentar um corpo



Na manhã de hoje o mundo recebeu a confirmação que os insurgentes líbios haviam encontrado, com o auxílio inestimável da OTAN, o esconderijo de Muammar Gaddafi.  As primeiras informações foram desencontradas: Gaddafi estava vivo, morto, ferido.  Importava que havia sido capturado.  Depois, confirmou-se a sua morte.

Em que circunstâncias morreu Gaddafi?  Por mais que o governo interino solte notas e reitere notas, ficou claro nos dois vídeos divulgados pelo Youtube - e reproduzidos neste blog -, que Gaddafi foi capturado ferido, mas vivo.  Depois, foi executado.  Na verdade, linchado e morto com um tiro na cabeça.
Pode parecer, mas não escrevo esse post para falar de Gaddafi.  Capturado, julgado, condenado e morto em questão de minutos.  Sem direito a um julgamento justo.  Alvo de uma vingança.
Quando vi as imagens de Gaddafi vivo e, logo depois, morto, me lembrei de Orlando Silva.  São imagens assim que esperam ter as oposições e a mídia.  Desde o fim de semana, Orlando Silva é alvo de um linchamento em praça pública.  A imprensa, liderada pela Veja, quer o seu cadáver exposto em praça pública.  Julgado, condenado, executado no tribunal da mídia, sem direito ao contraditório, à defesa e sem que nenhuma prova tenha sido apresentada.
A mídia no Brasil quer de Orlando o mesmo destino de Gaddafi.  Se Dilma permitir dirá com clareza que não pode exercer o cargo que exerce com o apoio das forças populares e democráticas do país.  Executar um pai de família sem julgamento e direito de defesa, com falta de provas, não é coisa de governo popular e democrático.  Pelo contrário

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