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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Jornalistas de Rebelión e Democracy Now! divergem sobre potencial das novas mídias



Da Carta Maior

É comum ouvir análises sobre a importância da internet e das redes sociais no sucesso de eventos políticos recentes, como a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama, e as revoltas da primavera árabe que derrubaram ditadores na Tunísia e no Egito.
Ainda que reconheça o papel democratizador da rede global, o jornalista espanhol Pascual Serrano, um dos criadores do site Rebelión, contém seu entusiasmo. "As revoluções das redes sociais não mudaram nada nos Estados Unidos e nem nos países árabes", disse ele, com certa ironia, ao participar do 1º Encontro Mundial de Blogueiros, nesta sexta-feira (28). "É aquela história de mudar um pouco para não mudar nada no final", criticou.

O argumento de Serrano é que as novas mídias não são capazes de tratar de assuntos relevantes com profundidade e sem fragmentá-los. Seria o caso do twiter, com seus textos telegráficos, e do youtube, cujos vídeos têm entre três e quatro minutos, os quais perigosamente cruzariam a fronteira entre a informação e o entretenimento. "Há um caráter primário de política em tudo isso", afirmou.

O jornalista espanhol lembrou ainda que as redes sociais estão sob controle de grandes empresas, em geral norte-americanas, que podem fazer uso - e o fazem - da censura para retirar conteúdos políticos que julguem inapropriados. "A possiblidade de intoxicação e manipulação nas redes sociais é muito grande", apontou Serrano, que, no entanto, disse que é possível mudar o rumo dessa história.

Para isso, ele defendeu que as novas mídias adotem "rigor e verdade" como seus valores, denunciem o modelo de oligopólio que predomina no setor da comunicação mundial e invistam em uma nova geração de jornalistas com valores humanísticos. "Precisamos incorporar algumas coisas mesmo que não gostemos delas, porque os novos cenários de comunicação não estarão livres de controle", concluiu.

Contraponto
O jornalista Andrés Thomas Conteris, fundador do serviço em espanhol do site Democracy Now!, faz uma avaliação mais positiva sobre o potencial transformador das novas mídias. Segundo ele, que nasceu nos Estados Unidos e possui ascendência uruguaia, veículos alternativos como o Democracy Now! têm colaborado diretamente com movimentos alternativos anti-sistêmicos, do Cairo a Washington.

O exemplo mais recente seria o Occupy Wall Street, através do qual norte-americanos têm ocupado as ruas de várias cidades norte-americanas para protestar contra o sistema financeiro. Através da cobertura alternativa e das mídias sociais, esse movimento, que tem seu DNA nos jovens que tomaram a praça Tahir, no Egito, vem sendo copiado em diversos países do mundo, como Brasil e Alemanha.

Conteris destaca algumas qualidades que têm garantido o sucesso do Occupy Wall Street e suas variantes: há transparência nas ações; há independência de partidos, governos, empresas e corporações; a democracia participativa é exercida através de assembléias gerais; as ocupações são intensas e sem prazo para terminar; há horizontalidade, ou seja, não há chefes e hierarquia; e a visão política possui um caráter global.

"O povo está desempregado e perdeu sua casa, após as fraudes nos bancos. O que o movimento diz é que somos 99% e eles são só 1%, mas, ainda assim, estão no comando do sistema financeiro e são cúmplices dos crimes cometidos. Nós precisamos mudar isso", afirmou o jornalista.

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