Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Desde essa terça-feira, 11 de outubro, este vídeo, com o depoimento
de Joana Giannella, está bombando na internet. Joana trabalhou na
Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo durante quase quatro anos
e foi demitida no início da sua licença-maternidade.
Ontem mesmo, a Secretaria de Estado da Cultura divulgou o seguinte comunicado:
Segue nota sobre o depoimento da ex-funcionária Joana Gianella.
A Secretaria de Estado da Cultura
lamenta o ocorrido e informa que o restante do benefício de licença
maternidade da ex-funcionária Joana Gianella será pago até o final
deste mês. O cargo por ela ocupado era de livre provimento, portanto,
sem vínculo empregatício ou estabilidade funcional, e a Secretaria
assumiu os custos relativos à licença maternidade, garantindo o
pagamento dos 180 dias previstos em lei, dos quais a senhora Joana já
recebeu 60 dias. Pedimos desculpas pelos mal-entendidos que possam ter
ocorrido durante esse processo.
Com a ajuda inestimável de Ivani, leitora do Viomundo,
e do seu amigo Tiago, encontrei Joana, que me recapitulou o que
aconteceu desde 17 de julho, quando soube que seu nome constava de uma
lista de exoneráveis.
“Não fui a única demitida durante a licença-maternidade, tem outra
colega na mesma situação”, denuncia Joana a esta repórter. “A
Secretaria não está dizendo a verdade na sua nota. Como eu não tinha
vínculo empregatício, se eu recebia mensalmente o holerit, onde vinham
descontados na fonte INSS, imposto de renda, Iamspe, ASSPESP
[Associação Paulista de Assistência ao Servidor Público do Estado de
São Paulo]?”
Joana trabalhou quase quatro anos na Secretaria da Cultura, onde foi
coordenadora de importantes projetos. Entre eles, os festivais de
Teatro Infantil e o Festival Paulista de Circo.
“No último Festival de Circo Paulista, eu estava grávida de sete
meses”, acrescenta. “Cheguei a trabalhar 12 horas por dia, circulando
por uma área de 30 mil metros, boa parte de brita. E depois, agora, nem
desculpas pediram por tudo o que me fizeram passar!!!”
A seguir a íntegra da nossa conversa. Joana concedeu-me esta
entrevista enquanto preparava a mamadeira de Helena, hoje com quatro
meses. Viomundo – Como vou soube que seria demitida? Joana Giannella – Eu tenho muitos amigos e amigas
na Secretaria. Uma dessas pessoas, no dia 17 de julho, avisou que meu
nome estava numa lista de gente que ia ser exonerada.
“Como ser demitida, se eu estou em licença-maternidade?”, argumentei. “Deve estar havendo alguma coisa errada.”
Entrei em parafuso. Como eu iria pagar as minhas contas? Meu leite
secou, entrei em depressão. No dia 29 de julho, veio a confirmação. A
minha demissão foi publicada no Diário Oficial. Viomundo – Que cargo você ocupava? Joana Giannella – Era diretora técnica nível 2,
tinha cargo em comissão. Segundo o meu advogado, eu teria direito à
licença-maternidade de 180 dias, de qualquer forma. Viomundo – Em nota, a Secretaria da Cultura alega que você não tinha vínculo empregatício. Joana Giannella – A Secretaria não está dizendo a
verdade na sua nota. Meu advogado garante que eu tinha vínculo
empregatício, sim. E como não tinha, se durante quase quatro anos eu
recebi mensalmente o holerit, onde vinham descontados na fonte INSS,
imposto de renda, Iamspe, ASSPESP [Associação Paulista de Assistência
ao Servidor Público do Estado de São Paulo]?”
Eu fui ao INSS tentar receber a licença- maternidade. Lá me
informaram que a licença-maternidade era um direito meu, mas quem tinha
de pagar era a Secretariada Cultura.
Em agosto, meus advogados se reuniram na Secretaria da Cultura com a
chefe de gabinete, um assessor dela e um procurador. Foi aberto um
processo e ficou combinado que eu logo receberia o que faltava. Dos 180
dias, eu havia recebido 60. Terminou agosto, passou setembro, entramos
em outubro e até agora nada.
Ontem, quando souberam do vídeo na internet foi um corre-corre lá.
Descobriram que o processo estava na Secretaria da Fazenda, parado,
pois a pessoa não sabia o que fazer para resolver o caso.
Ontem, fiquei sabendo também que não é a Cultura nem a Fazenda que
precisa assinar a autorização para eu receber o que falta, mas o
próprio governador. Viomundo – Você reivindicou a volta ao trabalho? Joana Giannella – Não. A Secretaria precisava do
meu cargo pra colocar outra pessoa, tudo bem. Mas que pagasse a
licença-maternidade na íntegra. É um direito meu, foi isso que
reivindiquei.
O que mais me dói é que, agora, depois de tudo o que me fizeram nem
ao menos pediram desculpas!!! Até por isso eu fiz o vídeo, denunciando
todo o descaso. Eu fiz não só por mim, mas também por outra colega e
por todas as mulheres que passam e passaram pela mesma situação. Viomundo – Então isso não aconteceu só com você? Joana Giannella — Eu não fui única demitida durante
a licença-maternidade. O bebê da minha colega tinha 2 dias de vida
quando ela foi demitida da Secretaria da Cultura. Viomundo — E agora? Joana Giannella — A Secretaria não prejudicou só a
mim, mas também a minha família, principalmente a minha filha, que está
protegida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
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