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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

#ForaMicarla: Itep encontra 500 mil comprimidos vencidos

Na Tribuna do Norte



O primeiro laudo do Instituto Técnico e Científico de Polícia [Itep] referente às investigações no Departamento de Logística e Suporte (DLS), da Secretaria de Saúde do município de Natal, revela uma quantidade exorbitante de diversos medicamentos vencidos. Em meio à desorganização, os peritos criminais já identificaram, nesta condição, pelo menos, 500.260 comprimidos dos remédios Sulfato Ferroso, Vitamicê [Ácido Ascórbico], Nociclin e Sulfametazol associado à Trimetoprina.
Estes medicamentos possuíam data de validade vencida entre março de 2009 e outubro de 2011.  No caso do Vitamicê, os 39.500 comprimidos tinham datas diferentes de  validade, entre julho e outubro de 2011. Do total, 10 mil unidades só venceriam agora, em outubro. Ou seja, quando a perícia técnica foi iniciada, no dia 22 de agosto, parte dos lotes desse medicamento ainda estava dentro do prazo de validade, mas sem qualquer cuidado no estoque.

O perito identificou ainda  31.651 frascos de Glicose 5%, Sulfato Ferroso, Neuleptil,  Metoclopramida e Epilenil vencidos entre abril de 2009 e julho de 2011. Os lotes de Neuleptil, um neuroléptico [usado no tratamento de sintomas psicóticos], somam  4.850 frascos, todos com validade vencida entre junho e julho deste ano. Outros 108 frascos de Oxcarbazepina, um antiepilético,  tinham vencido em julho de 2011.

No laudo, os peritos ainda apontam 18.709 bisnagas de Metronizadol vencidas entre julho e setembro de 2008 e 6.820 ampolas de Benzil Penicilina e de Cloreto de Sódio associado a outras substâncias, como Cálcio e Potássio, vencidas entre fevereiro e julho de 2010. Ontem à tarde, o coordenador de Criminalística do ITEP, Alexandre Nascimento dos Santos, liberou o laudo com exclusividade para a TRIBUNA DO NORTE.

Segundo ele, esse é o primeiro de uma série. "Ainda tem muita coisa a catalogar. Esse laudo é parcial. Não temos nem ideia do que ainda há por fazer, porque o estoque é todo muito desorganizado", afirmou. O perito do Itep disse que não é possível mensurar o percentual de medicamentos já catalogados, dada à desorganização da estocagem no galpão, anexo ao DLS. O setor da Prefeitura, que armazena medicamentos, está sob investigação à pedido da Delegacia do Meio Ambiente [Deprema] e da Promotoria do Patrimônio Público.

No dia 22 de agosto, uma equipe do Itep, da Deprema e dois promotores do Ministério Público Estadual abriram o DLS para dar início à perícia técnica. Alexandre Nascimento informou que ontem, somente dois meses depois do início dos trabalhos, foi possível entregar o primeiro relatório à Deprema e ao promotor do patrimônio Público, Afonso de Ligório Bezerra Júnior.

"Foi um trabalho muito difícil, dentro de um montante desordenado. A segunda parte do trabalho depende da retirada do material que foi catalogado, para liberar espaço", afirmou. Os peritos afirmaram no laudo que não tem condições de afirmar se os medicamentos estocados no galpão venceram no DLS ou em alguma unidade de saúde. Isso porque os peritos não receberam os documentos relativos à entrada e saída dos produtos.

Caberá ao Patrimônio Público e à Deprema, Anvisa, através da Suvisa [Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária] decidir sobre o destino desses medicamentos, se serão ou não incinerados.

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