Do Blog Desculpe a Nossa Falha
"Tratar o humor como ilícito e, no fim das contas, é a mesma coisa que censura", dizem as advogadas da Folha, Taís Gasparian e Mônica Galvão
Depois de quase 400 dias fugindo do debate que começou por conta de
um processo de censura que eles mesmos abriram, ontem a Folha de
S.Paulo resolveu ir pra briga. Na carta enviada à Comissão de
Legislação Participativa para informar que recusavam o convite para
debater no Congresso Nacional a censura que patrocina contra o blog
Falha de S.Paulo, a Folha prestou um grande serviço de utilidade
pública. Deu um show de prepotência (chegou a chamar o deputado que
propõe o ato de desinformado) e má-fé e mostrou táticas toscas de
difamação dignas da Veja. Explico, a partir de trechos da carta
(reproduzida no pé deste post):
1) O jornal fala várias vezes que não estávamos fazendo sátira. Fora
o fato de que MESMO QUE ISSO FOSSE VERDADE a censura não se justifica,
essa é a opinião mais isolada dos 90 anos de história da Folha. A
Justiça não acredita. NENHUM blog também. Tampouco apareceu algum
advogado, ativista ou jornalista disposto a comprar essa versão. E o
engraçado é que, como as informações circulam, sabemos muito bem que os
jornalistas da PRÓPRIA FOLHA (fora os que assinam a carta, ou talvez
nem eles) também não engolem essa balela da direção.
2) O jornal nos acusa de “não ser independentes” e de estar a
serviço do PT. Essas afirmações poderiam render um belo processo de
calúnia e difamação contra o trio que assina o documento. Caros Otávio,
Vinicius e Sergio, abro de bom grado as contas bancárias, as
declarações de imposto de renda e os sigilos telefônicos meu e de meu
irmão e desafio publicamente a Folha a provar essa afirmação mentirosa.
3) MUITO IMPORTANTE: Vamos partir do pressuposto que eu fosse
filiado ao PT (não sou nem nunca fui filiado a partido algum). Vamos
partir do pressuposto de que, realmente, a Falha não era uma paródia
crítica ao jornal. Vamos fazer de conta que era, sim, um blog a serviço
do PT, sem humor nenhum e criado com o único objetivo de espinafrar a
Folha. Nada mudaria. Mesmo assim TODOS os argumentos que usamos desde o
começo seguem válidos.
4) Na carta de ontem o jornal “fortalece” sua argumentação contra a
audiência afirmando que o assunto é “matéria superada” –porque já saiu
a decisão em primeira instância. Na edição impressa, contudo, o jornal
termina seu texto falando o óbvio: “cabe recurso”. Ou seja, a Folha
muda de discurso conforme seus interesses. Para fugir do debate, diz
que é “matéria superada”. Para posar de correta para seus leitores,
entretanto, lembra que cabe recurso. De nossa parte, não alteramos uma
vírgula nossa argumentação desde o primeiro dia. Nosso discurso é um só
e tem amplo apoio inclusive dentro do prédio da Barão de Limeira –ao
contrário da Folha, que só tem o apoio dos seus advogados.
TUDO ISSO SERÁ TEMA DA AUDIÊNCIA PÚBLICA AMANHÃ (4ª FEIRA) NO CONGRESSO NACIONAL (plenário 3, anexo II), AS 14H. A
FOLHA NÃO QUER DEBATER, MAS OS DEPUTADOS E A SOCIEDADE QUEREM. VÁRIOS
PARLAMENTARES CONFIRMARAM PRESENÇA. OAB E FENAJ TAMBÉM. E O SITE DO
CONGRESSO VAI TRANSMITIR AO VIVO POR STREAMING. ASSISTA, MANDE SUAS
PERGUNTAS, USE A HASHTAG #folhaXfalha, VENHA DEBATER VOCÊ TAMBÉM!
Folha contesta tema de audiência pública proposta por petista
Em carta enviada à Comissão de Legislação Participativa da Câmara
dos Deputados, a Folha contestou o tema de audiência pública proposta
pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e recusou o convite para
participar dela feito por seu presidente, Vitor Paulo (PRB-RJ).
Anunciado para as 14h30 de amanhã, em Brasília, o evento pretende
discutir o tema “O silêncio da mídia no caso de censura imposto pelo
jornal Folha de S.Paulo ao site www.falhadesaopaulo.com.br”.
A carta manifesta discordância da temática sugerida e do enfoque
adotado pela comissão. É assinada por Otavio Frias Filho, diretor de
Redação da Folha, Sérgio Dávila, editor-executivo, e Vinicius Mota,
secretário de Redação.
Os três jornalistas, mais a advogada do jornal, Taís Gasparian, que
está em viagem fora do país, foram os convidados pela comissão para
representar a Folha.
“A Folha não endossa qualquer censura ou repressão à manifestação de
pensamento crítico, até mesmo quando eivado de agressividade injuriosa
ou distorção partidária”, afirma a carta.
O jornal questiona ainda o que o petista chamou de “silêncio da mídia”.
“Ainda que fosse pertinente, a questão deveria ser colocada aos
meios de comunicação em geral, não fosse o fato de a pendência relativa
ao blog ter sido noticiada não apenas pela própria Folha em diversas
ocasiões como por vários outros veículos.”
Com a carta foram enviadas reproduções de reportagens sobre o
assunto publicadas na Folha e em veículos como “O Estado de S. Paulo” e
a revista “Info Exame”, da editora Abril, entre outros.
No ano passado, a Folha entrou na Justiça contra o uso de logotipo e
endereço eletrônico semelhantes aos do jornal pelo blog “Falha de
S.Paulo”, dos irmãos Lino e Mario Ito Bocchini. Em 28 de setembro de
2010, foi concedida liminar que determinava a suspensão do registro do
domínio falhadespaulo.com.
No mês passado, a Justiça julgou parcialmente procedente o pedido da
empresa, determinando a suspensão definitiva (congelamento) do domínio.
Cabe recurso.
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