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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A fé solúvel de @fanitelli


Eu cresci numa família evangélica, sempre tive uma ligação muito grande com a igreja, com a comunhão com as pessoas, trabalho em grupo, coro. Eu era baterista da igreja. Sempre fui um cara muito cheio de fé, quando entrei no sarau, comecei a ter mais curiosidade na questão do espírito. Fui buscar isso na pesquisa de religião. Participei de alguns encontros religiosos, um grande encontro de diversas religiões, mas tratando dos mesmos assuntos. Não dou nome ao meu Deus hoje, disse pra minha mãe esses dias: “O colo que recebo dessa divindade é o colo de mãe também”, sinto isso, que tem essa força, essa benção pairando no meu trabalho, na vida, na família. Independente da religião. A fé é nossa religião em comum.
Como disse outro dia aqui, sou neófito na minha relação com O Teatro Mágico.  Mas desde que estou ouvindo mais atentamente música e letra de Fernando Anitelli e seus parceiros de trupe tem ficado claro que as canções são muito espirituais, religiosas, com marcas de música gospel, evangélica - na forma de cantar, de se expressar, de tocar, de dizer as coisas.
Havia algo reconhecível de minha fé na "fé solúvel" de Anitelli. Ouvindo "O tudo é uma coisa só" fui buscar alguma referência ao assunto (Cruz... na parede e no púlpito/Nas nossas costas de súbito/Pesadas pra se carregar/Porta... abre e fecha o caminho/O balaio eu carrego sozinho/E ilumino esta cruz com meu jeito de andar... porque...).  A declaração que publiquei acima deste texto foi dada em um bate-papo do Terra, em 2009.
Isso me fez refletir, de novo,sobre o fato de que a maior parte de nossas comunidades evangélicas tem portas e janelas fechadas para propostas contestatórias e poéticas abertas e livres como as que nos propõem a trupe.  Não há espaço para o alternativo no mundo cristão atual - ainda que Jesus tenha sido o mais alternativo dos líderes religiosos.  Tão alternativo que foi morto por isso - porque não se adequava aos padrões morais, éticos e sociais de seu tempo.
Nossas igrejas continuam assim.  Para Fernando Anitelli ser o Teatro Mágico precisou de uma fé solúvel que não cabe nas igrejas.  Poucos lutam por essa fé solúvel em nossos ambientes evangélicos.  Quem o faz será sempre denominado e reconhecido como herege, subversivo.  Esses tais não cabem no mainstream da fé evangélica.
Anitelli não está sozinho.  Muitos, ainda que minoria, têm tido a coragem de assumir uma postura assim no mundo evangélico.  É certamente penoso, mas extremamente libertador.  Vida e poesia que libertam.  Aliás, o post é voz que vos libertará!

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