Por Chris Woods,
do Bureau of Investigative Journalism
Na Pública
A guerra por controle remoto dos Estados Unidos no Paquistão atingiu
um novo marco no último sábado com o 300º ataque feito por um avião
não-tripulado contra supostos militantes nas regiões tribais, de acordo
com uma investigação do Bureau of Investigative Journalism, parceiro da
Pública.
Pouco antes de amanhecer, aviões não-tripulados da CIA atacaram um
complexo residencial em Angor Adda, no Waziristão do Sul. Até seis
supostos militantes morreram no ataque, que feriu outras três pessoas.
Os mortos eram supostamente ligados ao militante talibã Maulvi
Nazir, visto como hostil aos EUA embora mantenha um acordo de paz no
Paquistão.
Foi o quarto ataque por controle remoto da CIA em
48 horas.
Na sexta-feira, mais de 2 mil pessoas compareceram ao funeral de
Maulana Iftiqar, diretor de uma escola islâmica local – e suposto
jihadista – morto em um ataque
na quinta-feira passada.
Um político local
afirmou aos presentes que
“Os Estados Unidos deveriam perceber que esse ataques estão gerando uma
enorme revolta, e ver as milhares de pessoas que vieram ao funeral de
um verdadeiro mártir”
Trezentos ataques
O Bureau identificou até agora
300 ataques por aviões sem tripulantes desde 2004. Destes, 248 ocorreram durante a presidência de Obama, ou seja, um ataque a cada quatro dias.
De acordo com uma análise detalhada dos ataques, pelo menos 2.318 pessoas foram assassinadas pela CIA.
A maioria é de supostamente militantes. Mas entre 386 e 775 civis
foram mortos, incluindo mais de 170 crianças. Além disso, pelo menos
1.100 pessoas foram feridas.
A CIA recentemente
admitiu a morte de 2.050 pessoas em ataques conduzidos por aviões sem tripulação – segundo a CIA, apenas 50 eram civis.
Porém, o Bureau
publicou uma extensa base de dados comprovando o contrario.
Os Estados Unidos afirmam não ter matado nenhum civil no Paquistão desde maio de 2010.
A base de dados coletada pelo Bureau consiste em um compilado de
relatos publicados por fontes como a AP, Reuters, New York Times e a
mídia paquistanesa.
Quando possível, os dados foram cruzados com documentos da
inteligência e da diplomacia americana, com textos de acadêmicos,
agentes da inteligência e políticos, além de pesquisa em campo no
Waziristão.
Clique aqui para ler a investigação completa: A guerra por controle remoto da CIA
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