Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Crise na Síria ameaça se tornar guerra civil.

Por Celso Lungaretti
 
Na semana passada, o Brasil se absteve de condenar a feroz repressão síria no Conselho de Segurança da ONU.

Mas, em debate sobre o mesmo assunto no mesmo colegiado, a embaixadora brasileira, Maria Nazareth Farani Azevedo, afirmou que a reação violenta do governo da Síria a protestos pacíficos era "inaceitável". Dá para entender?
De quebra, a posição frouxa face a tais matanças está prejudicando a "parceria estratégica" que o Brasil tenta firmar com a Turquia, inimiga figadal do ditador Bashar al-Assad.

A mim me parece que nada justifica a adoção, no caso de um déspota tão bestial, de uma política de  morde e assopra -- como bem definiu um diplomata patrício que, por motivos óbvios, prefere permanecer incógnito.

É, no dizer de Elio Gaspari, oportunismo sem senso de oportunidade.

Quem acreditou nas declarações de Dilma Rousseff, de que em sua gestão o Itamaraty trocaria o realismo político pela priorização dos direitos humanos, começa a suspeitar de que haja engolido gato por lebre.

E, para azar de Dilma, a crise síria não parece ter os dias contados. 

É a avaliação que faz, in loco, o repórter/blogueiro Guga Chacra (cujo artigo Com regime repressor e oposição armada, Síria está a beira da guerra civil recomendo):
"A crise na Síria não pode ser resumida apenas como um regime massacrando manifestantes que lutam pela liberdade depois de quatro décadas de reinado da família Assad. Apesar de centenas ou até mesmo milhares de defensores da democracia terem sido mortos e torturados pelas forças de segurança em atos classificados como crimes contra os direitos humanos por entidades internacionais, o cenário que mais bem se encaixa ao acontece nesta nação árabe é o de um embrião de guerra civil".
Tudo leva a crer que, se continuarmos em cima do muro, será por um bom tempo. Haja desconforto. Haja humilhação.

Mais vale descermos logo, quando isto ainda poderá passar por defesa de princípios.

Adiante, quando tal ditador também estiver sendo derrubado, nenhum mérito teremos, curvando-nos tardiamente à evidência dos fatos.

Comentários

Postagens mais visitadas