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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Corrupção como alvo dos indignados daqui e de lá

Duas mobilizações da oposição no Brasil contra a corrupção foram mais ou menos um fiasco. À exceção dos dois protestos em Brasília, os mais apartidários de todos, reuniram pouca gente.

Vejo ao menos uma diferença significativa entre os nossos protestos e o movimento global dos indignados. Aqui, o alvo, desforme, é a corrupção, sem nenhum aprofundamento crítico relevante sobre o que seja e quais as origens da corrupção.

Já os movimentos globais têm demonstrado uma consciência política mais clara, talvez fruto de uma sociedade com melhores desempenhos educacionais. Os protestos não são simplesmente contra a crise econômica mundial. Os estudantes, subempregos, desempregados conseguem perceber que o sistema é corrupto e lhes dá poucas oportunidades porque isso é inerente ao próprio capitalismo.

O grito dos indignados é contra a corrupção e os corruptos, contra a crise, mas eles entenderam muito bem que precisam gritar e lutar contra um sistema político-econômico que gera como resultado corrupção, crise econômica, desemprego e pobreza.

Os movimentos no Brasil, por desassociados das questões e demandas concretas da sociedade, só terão futuro concreto e real à medida que se possibilitarem uma mais efetiva politização e compreensão de um processo sistêmico que cria, o que é hoje é alvo, como simples conseqüência.

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