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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Área VIP: Privilégio para mim, ética para você


Por Marcelo Semer
Do Blog Sem Juízo

Não sou um admirador ferrenho do rock, mas embalado pela companhia estimulante dos amigos das redes sociais, acabei acompanhando os embalos de sábado à noite no sofá, assistindo ao Rock in Rio pela televisão dias seguidos.

Entre uma música e outra, e muitas tuitadas, pude acompanhar o incansável espetáculo das prestigiadas entrevistas da área VIP, mantida pela organização do evento.

As apresentadoras da TV incensavam o lugar: vamos pra lá que tem ar condicionado e canapés para todos.

Todos, no caso, é uma coleção de artistas e apresentadores da própria televisão que transmitia o evento –e sabe-se lá quantas autoridades.

Tudo bem, ao final, muitos comentaram o “dia de rock, bebê”, da Cristiane Torloni, ou a expansiva entrevista de Willian Bonner, a quem nos acostumamos a ver taciturno no Jornal Nacional.

Mas o desfile de subcelebridades que tinham pouco a dizer sobre o evento (além de explicar como deixaram seus filhos em casa num dia e o trouxeram em outro) marcou a transmissão com um quê de revista Caras –aquela que leva seus ricos e famosos para ilhas e castelos.

Afinal de contas, a exclusividade é tudo.

Para quem tanto incensa a área VIP, as pessoas “realmente importantes”, ou, no caso a si mesma, quando se dirige aos próprios atores, fica estranho o discurso moralista que se verá nas edições dos telejornais dos dias seguintes: o respeito à ética e aos postulados republicanos, a indignação com os privilégios, o apelo ao fim do patrimonialismo.

As relações de privilégios (leis privadas, em sua concepção etimológica, que servem a poucos) são altamente nocivas na esfera pública, rompendo a noção de igualdade que a lei deve assegurar.

Mas não nos enganemos: elas só existem no espaço público, porque são assim tão prestigiadas no privado.

A ânsia de levar vantagem, de ter exclusividade, de se diferenciar dos demais está na raiz dos privilégios que o poder distribui –com regras, cargos e verbas selecionadas a dedo a pessoas que sejam “realmente importantes”.

A corrupção é mais filha da desigualdade do que nossa vã filosofia faz supor.

Ou, como diria, Antoine de Saint-Exupéry: Você se torna responsável por tudo aquilo que cativas...

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