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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

A ética de Pondé



Pensei em publicar o texto de Luiz Felipe Pondé hoje na Folha.  Mas é tão superficial e vazio - cai em tantos lugares comuns que chamá-lo de sexista talvez soe como um elogio e distorção da verdade.  É bem pior que isso.
Uma mulher bonita X se veste com uma saia curta para uma entrevista, entra numa sala com outras pessoas e se senta de pernas abertas. Isso é abusivo. Uma mulher bonita Y se veste com uma saia menos curta do que a mulher X, mas que ainda assim revela, escondendo, sua beleza, entra numa sala com outras pessoas e se senta de modo discreto. Isso é ético.
Neste nosso "experimento", a mulher Y age de modo ético.
Pondé se propõe a ser um intelectual levado a sério.  E a discutir ética de um ponto de vista sério.  Soa rizível. Não merecem muito Ibope os seus silogismos que são capazes de converter a coisificação do feminino em instrumento do poder feminino.  As mulheres - como os seres humanos - não querem exercer poder de coisas, de objetos.  Querem ser reconhecidos como sujeitos plenos.  Autônomos.  Donos de seus narizes.  Converter em discussão ética - como se ético fosse - a transformação de alguém em objeto soa como quem quer ser, desse objeto, sujeito e senhor.

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