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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A ética de Pondé



Pensei em publicar o texto de Luiz Felipe Pondé hoje na Folha.  Mas é tão superficial e vazio - cai em tantos lugares comuns que chamá-lo de sexista talvez soe como um elogio e distorção da verdade.  É bem pior que isso.
Uma mulher bonita X se veste com uma saia curta para uma entrevista, entra numa sala com outras pessoas e se senta de pernas abertas. Isso é abusivo. Uma mulher bonita Y se veste com uma saia menos curta do que a mulher X, mas que ainda assim revela, escondendo, sua beleza, entra numa sala com outras pessoas e se senta de modo discreto. Isso é ético.
Neste nosso "experimento", a mulher Y age de modo ético.
Pondé se propõe a ser um intelectual levado a sério.  E a discutir ética de um ponto de vista sério.  Soa rizível. Não merecem muito Ibope os seus silogismos que são capazes de converter a coisificação do feminino em instrumento do poder feminino.  As mulheres - como os seres humanos - não querem exercer poder de coisas, de objetos.  Querem ser reconhecidos como sujeitos plenos.  Autônomos.  Donos de seus narizes.  Converter em discussão ética - como se ético fosse - a transformação de alguém em objeto soa como quem quer ser, desse objeto, sujeito e senhor.

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