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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

#15oct: Quais são as vitórias desses movimentos

Outro dia conversava com um companheiro de partido sobre os movimentos desencadeados mundo afora a partir das mobilizações que derrubaram os regimes na Tunísia e no Egito, se espalharam em lugares como a Espanha, o Chile, os EUA. Uma coisa me incomodou bastante na nossa conversa. Ele analisava as mobilizações sob o prisma e a ótica de conceitos políticos, sociais e econômicos do século XIX. Sei que é difícil olhar o mundo de hoje com a dimensão que ele tem. E sei também que não temos ainda um distanciamento histórico para analisar de forma adequada tudo o que está acontecendo pelo mundo nesse ano de 2011. Mas algumas coisas para mim já são muito claras. O movimento contemporâneo é inédito. Como inédito que é qualquer ferramenta de análise e de interpretação que tenha sido precisa na análise de movimentos de outros tempos, já começa inadequado. Desse modo, qual é a medida de sucesso desses movimentos? No Egito e na Tunísia os ditadores foram derrubados mas até hoje nenhum modelo de democracia foi efetivado no lugar. Na Líbia um levante popular foi substituído por uma intervenção militar estrangeira. No mundo ocidental as praças da Espanha, Chile e Estados Unidos, aparentemente, ainda não conseguiram grandes vitórias. Mas isso é relativo e é aqui que entra minha conversa com o camarada de partido. Quem disse que a vitória de mobilizações desse nível é um acordo político com o governo de plantão? Tenho a impressão que a mobilização e as ações coletivas são vitórias maiores. Por isso esses movimentos não são apenas para além de partidos. Eles são além dos estados. Assim, se proliferaram rapidamente de país em país, povo a povo, nação a nação. Não é de estranhar que se marcasse logo uma ação global uniforme. É o 15 de outubro. Evidente ainda não somos capazes de compreender tudo. Mas esse vídeo abaixo explica melhor as vitórias da democracia e da ação coletiva direta. Os estados podem não mais mudar, mas as pessoas e a sociedade global estão mudando. Talvez estejamos passando por um processo global de ressocialização. Mas nenhuma tese como essa pode ser honestamente proposta em um momento histórico como esse.

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