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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

WikiLeaks publica milhares de telegramas sem proteger a identidade das fontes

Do El País
No UOL

A organização de revelação de segredos WikiLeaks publicou nas últimas semanas mais de 130 mil telegramas diplomáticos americanos, nos quais não apagou o nome de informantes cuja segurança agora corre perigo, segundo o governo americano. Essa foi no passado uma das principais denúncias da Casa Branca e do Pentágono contra a organização dirigida por Julian Assange, a quem diversos altos funcionários dos EUA acusaram de "ter as mãos manchadas de sangue" porque deixou a descoberto fontes críticas para a inteligência e a diplomacia americanas.

Em muitos dos telegramas publicados agora se lê, junto ao nome do informante, a expressão "proteger rigorosamente". É o que acontece, por exemplo, em um telegrama datado de abril de 2008 na embaixada de Brasília, onde se cita um senador brasileiro [Heráclito Fortes, que certamente corre risco de morte] que revela informação crítica sobre a formação de guerrilhas terroristas em seu país. Esse mesmo padrão de deixar o nome a descoberto é seguido em numerosos telegramas de embaixadas em Ancara, Amã ou Camberra, por exemplo.
No último mês de novembro, "El País" publicou, junto com outros veículos da mídia, a informação mais relevante de um vazamento de 250 mil informes diplomáticos americanos, da qual procedem esses novos documentos. Naquela cobertura, "El País" apagou os nomes dessas fontes, com a intenção de protegê-las e evitar represálias contra elas. O WikiLeaks, entretanto, publicou esses telegramas por sua conta e de forma paulatina, sem dar proteção aos informantes. Entre julho e agosto aumentou notavelmente o volume desses vazamentos.
Um juizado federal da Virgínia está investigando a procedência desses documentos secretos e ainda não apresentou acusações. O soldado Bradley Manning, detido no ano passado no Iraque, espera um julgamento militar por alta traição, acusado de ser a fonte desse vazamento e de outros documentos relativos às guerras do Iraque e do Afeganistão.
"A decisão de publicar os 133.877 telegramas foi tomada de acordo com o compromisso do WikiLeaks de maximizar o impacto e a informação ao alcance de todos", afirma a organização em um comunicado.
O trabalho de buscar nomes de fontes e apagá-los é custoso, e o WikiLeaks não o assumiu em seu primeiro grande vazamento, de 92 mil documentos da guerra do Afeganistão, em julho de 2010. Então, um porta-voz dos taleban anunciou que sua organização havia procurado nos documentos nomes de informantes e espiões e que estava elaborando uma lista com eles.
"O senhor Assange pode dizer o que quiser sobre o grande bem que ele e suas fontes estão fazendo, mas a verdade é que já é possível que tenham em suas mãos o sangue de algum jovem soldado ou alguma família afegã", disse então em entrevista coletiva o chefe do Estado-Maior conjunto, almirante Mike Mullen.
No segundo vazamento, de 400 mil telegramas do Iraque, em outubro, o WikiLeaks empregou um programa de informática de identificação e eliminação de nomes próprios nos telegramas, que operava de forma automática, o que dificultou notadamente a leitura de muitos deles. Enquanto isso, as relações entre Assange e um dos veículos que colaboraram com ele inicialmente, "The New York Times", se deterioraram notadamente por esse motivo.
Esse jornal se negou a publicar links (remissões) em seu site na web para as páginas do WikiLeaks, devido à identificação nelas de nomes próprios nos documentos sobre a guerra afegã. O WikiLeaks não incluiu o "New York Times" no grupo de veículos ao qual entregou os telegramas do Departamento de Estado em seu último lote de vazamentos.

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