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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Uma operação Condor das arábias

 
Que Muammar Gaddafi, fiel ao figurino dos ditadores, mandava torturarem opositores a torto e a direito, qualquer pessoa medianamente informada sabe. O déspota esclarecido dos relatos de certa esquerda é conto de carochinha comparável a O Patinho Feio.

E havia outra afinidade com as ditaduras latino-americanas: os adversários do regime eram sequestrados em outros países, por outros governos, e entregues numa bandeja aos Brilhantes Ustras líbios. Ou seja, montaram também lá uma espécie de Operação Condor.

E quem fazia o serviço imundo?

Os EUA e a Grã Bretanha. Nem mais, nem menos.

No quartel-general do ex-ministro do Exterior e comandante do serviço de inteligência de Gaddafi, o Human Rights Watch encontrou provas do envolvimento da CIA e o MI6 britânico na captura e extradição ilegal de líbios contrários a Gaddafi. Devolvidos ao seu país, foram, claro, torturados e atirados nas masmorras.

Quem não usa antolhos percebe, cada vez mais, que as grandes nações ocidentais se davam muito bem com Gaddafi e só transferiram seu apoio aos rebeldes por terem percebido que o regime caía de podre.

Sabendo que -- mesmo que sobrevivesse à revolta de 2011 -- a derrubada do tirano execrado por seu povo seria mera questão de tempo, apostaram nos poderosos futuros: compondo-se com os rebeldes, devem ter garantido a continuidade, por mais algumas décadas, dos bons negócios que realizavam com Gaddafi.

Afinal, como dizem os gangstêres dos filmes de Hollywood,  não é pessoal, são só negócios...

Resta saber se o papel infame desempenhado pelo Ocidente no passado será esquecido com tanta facilidade por revoltosos como Abdul Hakim Belhaj.

Comandante das forças rebeldes que derrotaram Gaddafi em Trípoli, ele estava refugiado na Malásia em 2004, quando foi detido durante visita à Tailândia e entregue ilegalmente para a CIA, que o repassou aos torturadores líbios. Tudo isto com a conivência do Reino Unido.

Os canalhas infames de ontem são os aliados de hoje. Belhaj sabe muito bem o que eles realmente valem: nada.

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