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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Redes sociais e a voz das ruas

A marcha convocada para Brasília ontem, em protesto contra a corrupção e mobilizada pelas redes sociais a partir da absorvição de Jaqueline Roriz (PMN) na Câmara Federal, reuniu cerca de 25 mil pessoas. Todos os relatos que li dão conta de que foi apartidária.
Em São Paulo, protesto semelhante, mas agora partidarizado, reuniu 300 pessoas. Perdeu feio para as mais de mil pessoas do Grito dos Excluídos.
Os números falam por si. Discordo totalmente da partidarização desses protestos, como ocorreu em São Paulo onde a juventude tucana se apropriou da mobilização. Como bem disse o deputado federal Jean Wyllys (PSOL), não é possível participar de mobilizações contra a corrupção com tantos partidos e políticos envolvidos até o pescoço com corrupção. Não se pode aceitar que a movimentação possa ser convertida em artimanha político-midiática golpista.
A mobilização social possibilitada pelas redes sociais há de ser louvada em toda circunstância. Mesmo que tema a udenização faxineira da prática política - o que pode provocar o esvaziamento da discussão dos temas de fundo que são, na verdade, raízes de tudo -, a voz das ruas é para ser louvada e ouvida. Quem se recusar e esticar q corda vai ser tragado. No mundo árabe muitos já provaram disso, Zapatero, Pinera e até Micarla, prefeita de Natal.
Mas para que seja efetivo tal movimento deve ser politizado e se preservar da partidarização.
Por isso recuso o convite que me foi feito hoje para um tuitaço, às 20 h, em favor de uma CPI da Corrupção. A mobilização está sendo feita por DM no twitter e por e-mail. Para que seja surpresa.
Por que me recuso? Porque uma CPI é um instrumento político de desgaste do governo. É arma de oposição, não de justiça. Ou seja, uma CPI da Corrupção obviamente terá um viés golpista. Ou será que alguém acredita na pureza ética de Álvaro Dias ou do anão do orçamento Sérgio Guerra? Se houvesse uma Operação Mãos Limpas que mudasse tudo. Mas já perdemos essa chance.
Não sou um fiel apoiador do governo Dilma. Acho também que a manifestação democrática dos brasilienses deve ser levada a sério e ouvida. Não posso concordar que nenhuma revolução das redes se transforme num simples e velho golpe político-midiático.

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