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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Quem fala por Dilma Rousseff?


Por Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania

A presidente Dilma Rousseff continua sendo uma espécie de “Deus” da política brasileira: como o verdadeiro Criador de tudo, tem o poder acima de todos os poderes e não fala com os seres humanos comuns, dirigindo-se apenas a “escolhidos”. E como Ele jamais Nomeou um interlocutor com os homens, Sua equivalente na política tampouco o fez.
Como Dilma pouco – ou quase nada – fala sobre política, há hoje no Brasil uma lista interminável de pretensos intérpretes de seus pensamentos. Alguns deles, apesar de reiteradamente chamar os aliados e o governo dela inteiro de “ajuntamento de bandidos” e de “proto-ditadores”, garantem que conhecem os pensamentos políticos mais recônditos da presidente.

Aqueles que facilmente podem ser reconhecidos como braços comunicacionais da oposição ao governo federal, após a presidente ter ido ao 4º Congresso de seu partido – e aplaudido, junto ao ex-presidente Lula, a fala do presidente da legenda, Rui Falcão, quando declarou que apoiaria um marco regulatório das comunicações que vetaria a propriedade cruzada –, dizem que ela “é contra” a regulamentação da mídia.

Antes, Globos, Folhas, Vejas, Estadões e seus blogs de esgoto, entre outros, já vinham interpretando a vontade da “divindade política” brasileira no que dizia respeito à tal de faxina que inventaram que ela pretenderia, até porque a presidente vinha dando demonstrações públicas de respeito e apreço pelos porta-vozes de seus adversários tucanos na mídia.

No Congresso do PT, porém, Dilma Rousseff ouviu – e aplaudiu – propostas para regular a comunicação e, sobretudo, para acabar com a propriedade cruzada de meios de comunicação. Ainda que agora venham os Estadões e blogs de esgoto da imprensa golpista se confessar confessores políticos da presidente, conviria saber se ela tem algo a opor à tese.

Aliás, seria bom que o país soubesse, afinal, quem fala por Dilma ou se ela deu procuração aos meios de comunicação para falarem por si tudo aquilo que, como o Pai Eterno, não diz aos mortais comuns, mas só aos eleitos. Dali em diante, passaríamos a interpretar como expressão da vontade “divina” o que dizem esses meios sobre os pensamentos da presidente.

Fica, portanto, valendo a regra de que, se alguém deixa que outros falem por si e não contesta quando dizem, aos brados, que são seus porta-vozes, essa pessoa está acedendo e corroborando a teoria daqueles auto-proclamados arautos de sua vontade de que falam por si. Ou, trocando em miúdos, fica valendo a regra de que “quem cala, consente”.

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