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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

A poeta do toma lá, dá cá

Fernando de Barros e Silva
Da Folha de São Paulo

Patrícia Poeta - "Como a senhora controla esse toma lá, dá cá, digamos assim, cada vez mais sem cerimônia das bancadas? Como é que faz esse controle?".
Dilma - "Você me dá um exemplo do dá cá e eu te explico o toma lá".
Poeta - (Fica muda, sem jeito).
Dilma - "Tô brincando contigo".
(Ouvem-se ao fundo as gargalhadas da claque que acompanhava a presidente no Palácio do Planalto).

Este foi o momento mais revelador da entrevista que o "Fantástico" levou ao ar anteontem à noite. É óbvio que a presidente não estava brincando quando, num impulso, inverteu os papeis e colocou Poeta numa saia justa. Diante da falta de reação da entrevistadora, com o domínio da situação, Dilma faz um gesto para tirá-la das cordas e retomar o tom amistoso da conversa.
As risadas dos áulicos da presidente, no entanto, funcionam como um eco da humilhação imediatamente anterior, amplificando-a.
No conjunto, beneficiada pelo clima ameno, dominical da entrevista, Dilma conseguiu uma proeza: agradar àqueles petistas para quem o discurso da faxina é uma conspiração dos conservadores contra o governo e, ao mesmo tempo, àqueles setores que acreditam que ela está, de fato, combatendo a corrupção, com o discurso de que isso é uma tarefa diuturna e sem fim, que não basta só "uma faxina".
Até quando Dilma conseguirá se equilibrar nesse personagem que é mais fictício do que real? Até quando terá êxito essa sua atitude ambivalente, de afirmar e negar a faxina, de querer se apropriar do bônus que isso traz à sua imagem sem arcar com o ônus que uma política mais séria traria ao seu governo?
A política brasileira está estruturada na base do toma lá, dá cá. O lulo-petismo universalizou a fisiologia que um dia quis enfrentar. A base aliada está repleta de saqueadores do bem público. Essa é a argamassa que lhe dá coesão. Combater essa gente a quem o PT se mistura com gosto não significa demonizar a política, mas o contrário

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