Por Alisson Almeida
No Embolando Palavras
A semana que passou vai demorar para ser esquecida. Penso até que
nunca terminará, porque os fatos nela ocorridos certamente ainda terão
muitos desdobramentos. A Operação “
Pecado Capital“, deflagrada na segunda-feira (12) pelo Ministério Público e pela Polícia Militar, revelou o esquema da “
organização criminosa” que desviou R$ 12 milhões do Ipem, chefiada pelo advogado
Rychardson de Macedo Bernardo, descrito como “
testa de ferro”
do deputado estadual Gilson Moura (PV).
Rychardson, segundo a petição do MP, contou com a ajuda do irmão
Rhandson de Macedo Bernardo, do advogado
Daniel Vale Bezerra (ex-diretor jurídico do Ipem), do engenheiro
Aécio Aluízio Fernandes de Faria (ex-diretor financeiro), de
Adriano Flávio Cardoso Nogueira (ex-diretor administrativo) e dos próprios pais,
José Bernardo e Maria das Graças de Macedo Bernardo.
Até agora, o que se sabe, tomando como base a denúncia do MP, é que
o grupo faturou com a nomeação de funcionários fantasmas através de uma
empresa terceirizada (as pessoas recebiam sem trabalhar e repassavam a
maior parte do dinheiro para Rychardson), o pagamento indiscriminado de
diárias sem comprovação do serviço prestado, fraudes em licitações,
propinas para livrar comerciantes de multas e criação de empresas que
serviam à lavagem de dinheiro. As quatro empresas de Rychardson, aliás,
tiveram interventores nomeados pela Justiça.
Ficamos sabendo, também, que a maioria dos funcionários fantasmas do
órgão foram indicados pelo mentor de Rychardson, Gilson Moura. O
deputado, aliás, sumiu do mapa desde o estouro do escândalo. O
“advogado cidadão”, como se autodenomina o parlamentar do PV, aliado da
prefeita Micarla de Sousa, parece esquecer que, como cidadão e
legislador, tem satisfações a dar à sociedade.
Entre os gasparzinhos lotados do Ipem, segundo o MP, estava a filha do
presidente do TRE-RN (Tribunal Regional Eleitoral do RN),
o desembargador Saraiva Sobrinho,
Sayonara Rosado da Costa Saraiva.
De acordo com o depoimento de Laila Cristiane Nagib, Sayonara recebia
como estagiária e como contratada do órgão. Saraiva Sobrinho, até aqui,
não deu entrevista sobre o caso. tentei falar com ele, mas sua
assessoria de imprensa o blindou.
Daniel Dantas, em seu
De Olho no Discurso,
revelou que o desembargador Saraiva Sobrinho foi relator de uma ação no
Tribunal de Justiça que tinha Rychardson de Macedo como advogado. “
A relação entre Rychardson e Saraiva não devia tê-lo tornado suspeito de julgar a questão?“, questionou o blogueiro.
Ainda sobre os fantasmas do Ipem, os áudios da operação, divulgados
pelo MP, revelaram que ainda há mais gente graúda envolvida nesse
quiproquó do Ipem. Numa das conversas, Rychardson fala em tom de
deboche com Daniel Vale sobre o esquema na autarquia estadual.
Mencionam, abertamente, que há apadrinhados de
Fábio Dantas (deputado estadual, ex-diretor do Itep na gestão da ex-governadora Wilma de Faria), de
Lauro e de
Fernando.
Não se sabe, por enquanto, quem são Lauro e Fernando, apesar das suspeitas de que se tratam de
Lauro Maia e
Fernando Faria, respectivamente
filho e irmão de Wilma de Faria, uma vez que ambos tinham poder para fazer indicações para o órgão.
Outro magistrado cujo nome aparece nas escutas telefônicas da operação é o desembargador
Expedito Ferreira,
ex-presidente do TRE e conterrâneo desse escriba, lá das bandas de
Alexandria. Numa das gravações, Daniel Vale comenta com Rychardson que “
o filho de Expedito” também estava na folha do Ipem, numa referência a
Érico Ferreira, diretor do Detran.
Daniel Dantas
registrou,
ainda, que a “organização” que atuava no Ipem se preparava para se
mudar para o Detran, onde o advogado Daniel Vale já estava alojado. O
grupo planejava continuar a farra com dinheiro público nesse outro
órgão, mas os planos naufragaram com a “
Pecado Capital“.
O outro acontecimento que abalou as estruturas da nossa provinciana capital foi a
Operação “Hefesto”, deflagrada na última quarta-feira (14) pelo
MP,
Polícia Federal e a
Secretaria de Direito Econômico, ligado ao
Ministério da Justiça,
que investiga o suposto cartel na venda de combustíveis pelos postos de
Natal. Entre os nove mandados de prisão cumpridos pelos agentes
estaduais e federais, um foi no gabinete do vereador
Enildo Alves (sem partido), líder da bancada da prefeita Micarla de Sousa na Câmara Municipal.
Para se defender, o parlamentar disse que está sendo vítima de
“perseguição” do Ministério Público. Como o processo corre em segredo
de Justiça, não se sabe, por enquanto, o teor do material recolhido no
gabinete do edil.
O fato é que as duas operações têm potencial suficiente para
provocar um estrago de dimensões ainda incalculáveis no meio político
da Taba. A petição da “Pecado Capital” também cita o deputado federal
João Maia (PR) e o deputado estadual
Dibson Nasser (PSDB), filho do vereador
Dickson Nasser (PSB).
João Maia teria apadrinhados no Ipem, enquanto Dibson teria atuado para
influenciar o depoimento de uma testemunha, identificada apenas pelo
primeiro nome —
Liana [na verdade,
Lianne Cavalcanti Eufrázio de Araújo].
Estou entre os que desconfiam que Rychardson, o ex-diretor do Ipem,
não foi o único beneficiário do esquema montado para desviar recursos
do órgão. Pelas informações que apurei com pessoas que o conheciam nos
tempos em que não andava de
Discovery nem lavava os pés com
Old Par, em vez de “cérebro” da organização, o advogado está mais para “inocente útil” a serviço forças mais poderosas. A conferir.
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