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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Para Folha, Dilma sucedeu opositor

Em que pese que, em larga medida mesmo, eu acredite que o governo Dilma Rousseff tem refletido uma descontinuidade do governo Lula - por isso, frustra -, isso não se dá, em absoluto, nos termos inventados e publicados no editorial da Folha de São Paulo de hoje, cujo título era A estreia de Dilma.


Discurso da presidente na ONU reafirma posições da diplomacia brasileira, mas reflete mudança sutil diante de um novo cenário global

Ao debutar na tribuna da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, a presidente Dilma Rousseff reiterou a correção de rumos de aspectos da política externa brasileira que vem patrocinando desde que assumiu.


Constaram de seu discurso, como não poderia deixar de ser, as posições mais sedimentadas da diplomacia nacional. Expressou o anseio por um assento permanente no Conselho de Segurança (CS) -o órgão executivo máximo da ONU- e criticou intervenções unilaterais em países soberanos.
Tocou também em temas atuais, da crise econômica nos países centrais às revoltas no mundo árabe.
Manifestações de chefes de Estado em foros solenes, como a abertura do encontro anual da ONU, são em larga medida estruturadas por diplomatas. Os líderes, contudo, reforçam cada um o seu estilo. A política externa da gestão Rousseff, no cotejo com a de Lula, é mais serena e menos preocupada com questões geopolíticas distantes dos interesses brasileiros.
A presidente defendeu as posições do Brasil, mas sem abrir contenciosos desnecessários ou fazer provocações inúteis. Ao mesmo tempo, mostra-se menos disposta a transigir com violações de direitos humanos em nome de alianças políticas controversas.
A defesa da criação de um Estado palestino -que será corretamente apoiada pelo Brasil, atualmente membro temporário do CS-, sem descuidar dos "legítimos anseios" de Israel por segurança, é um bom exemplo de manifestação ponderada.
Um dia antes, em encontro com Barack Obama, Dilma Rousseff já havia elogiado "a posição vigilante da imprensa brasileira, não submetida a qualquer constrangimento governamental". A frase, que deveria soar corriqueira, contrasta com mais uma declaração infeliz de seu antecessor -segundo Lula, políticos precisam ter "casco duro" para resistir às acusações de corrupção.
A correção de rota na política externa, porém, não se explica apenas pelo estilo da presidente. Esse gesto responde, de certo modo, ao fato geopolítico mais importante do século 21: a ascensão da China, secundada, muito de longe, por países de grande peso populacional como Índia e o próprio Brasil.
Nesse contexto, seria um equívoco manter-se aferrado a pressupostos ultrapassados-como o que preconiza as alianças entre países periféricos, a China entre eles, a fim de limitar a influência dos EUA. Eis que, e não por acaso, o governo Rousseff acaba de erguer barreiras protecionistas contra a indústria automobilística chinesa -e a favor de montadoras norte-americanas instaladas no Brasil.
Sinal dos tempos...

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