Por Luiz Carlos Azenha
No Vi o Mundo
O ex-ministro José Dirceu disse ontem, em um seminário da revista
Forum,
em São Paulo, que acredita que um dos objetivos do repórter que tentou
invadir seu apartamento num hotel de Brasília era plantar provas:
documentos, drogas ou dinheiro.
O dirigente do PT atribuiu a recente onda de ataques da revista
Veja contra
ele à tentativa de descobrir alguma prova que torne possível abrir um
novo processo judicial, já que, segundo Dirceu, em breve ele será
absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do mensalão.
No processo, Dirceu é acusado de chefiar uma quadrilha que teria
usado dinheiro público para financiar o apoio político ao então
presidente Lula. Dirceu nega as acusações, diz que não há nenhuma prova
contra ele e está certo da absolvição.
No evento, o ex-ministro afirmou que o repórter da
Veja,
Gustavo Ribeiro, é reu confesso, por ter confirmado a tentativa de
entrar no apartamento que José Dirceu usa como escritório no hotel
Naoum, em Brasília.
Afirmou que a perícia ainda não concluiu se as imagens divulgadas
pela revista foram feitas pela própria câmera de segurança do hotel ou
por uma câmera instalada pelo repórter. Se o primeiro caso se
confirmar, a polícia vai investigar quem pagou e quem recebeu pelas
imagens.
Sobre a mídia, Dirceu afirmou que o debate sobre regulamentação deve
ser travado no Congresso. Presente, o deputado federal Paulo Teixeira,
líder do PT na Câmara, disse que até o final deste ano o governo Dilma
deve enviar ao Congresso um projeto de regulamentação do setor. A
informação foi atribuída por Teixeira ao ministro das Comunicações,
Paulo Bernardo. O projeto terá como base o texto deixado pronto pelo
ex-ministro Franklin Martins.
Frisou-se que o objetivo é regulamentar o novo quadro da mídia que
está em formação no Brasil, especialmente depois que as empresas de
telefonia foram autorizadas a entrar no setor da TV paga.
José Dirceu ironizou. Segundo ele, os grandes grupos de mídia sempre
defenderam a entrada do capital estrangeiro no país, mas ainda hoje
defendem uma espécie de “reserva de mercado” que os beneficia no campo
das comunicações.
O dirigente petista falou também sobre a falta de isonomia da mídia, especialmente quando se trata de denunciar a corrupção.
Dirceu disse que fiapos de informação foram suficientes para
envolvê-lo no noticiário de escândalos com os quais nunca teve qualquer
relação, como a denúncia de desvio de dinheiro do BNDES feita por
assessor do prefeito Alberto Mourão (PSDB), de Praia Grande; na
Operação Pasárgada, que investigou o ex-prefeito de Juiz de Fora,
Carlos Alberto Bejani (PTB); e na investigação do caso MSI-Corinthians.
Clique abaixo para ouvir o trecho em que José Dirceu trata do assunto:
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