Do site do Ministério Público
A Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público da Comarca de
Natal, diante de questionamentos emanados da imprensa acerca da
participação da Polícia Militar na operação “Pecado Capital”, vem a
público esclarecer que:
1. O lamentável episódio envolvendo a substituição do Delegado de
Polícia Civil Mathias Laurentino, que vinha conduzindo a investigação
policial acerca dos desvios de recursos do IPEM/RN, aliado à
inexistência de uma Delegacia Especializada na Defesa do Patrimônio
Público – DEDEPP, na estrutura da Polícia Civil do Estado do RN, foi
determinante para que o Ministério Público requeresse ao Poder
Judiciário que a mencionada operação fosse realizada com o apoio da
Polícia Militar;
2. A notícia de que a Delegacia-Geral de Polícia Civil designou
Delegado Especial para, através de inquérito policial, apurar possível
influência de investigados na referida substituição, foi recebida com
satisfação pelo Ministério Público;
3. Noutro pórtico, ressalte-se que a Delegacia Especializada na Defesa
do Patrimônio Público – DEDEPP foi extinta no governo passado através
do Decreto n.º 19.774, de 26 de abril de 2007, e que hoje o Ministério
Público lamenta esta lacuna na estrutura da segurança pública, razão
porque solicitou formalmente, no início do atual governo, a recriação
da Delegacia do Patrimônio Público, o que infelizmente ainda não se
concretizou. É que uma operação dessa natureza somente poderia ser
conduzida por Promotores de Justiça ou por Delegados de Polícia
vocacionados e dedicados exclusivamente ao combate à corrupção, com
garantias mínimas de estabilidade na função, e, no caso da Polícia
Civil, por uma Delegacia estruturada e dotada de recursos humanos e
aparato técnico adequado para a realização desse mister;
4. Atualmente, os Inquéritos Policiais instaurados na comarca de Natal
para apurar crimes contra a administração pública e corrupção em geral
estão sendo conduzidos pela Delegacia Especializada de Investigação de
Crimes Contra a Ordem Tributária – DEICOT. Em que pese o esforço dos
diligentes Delegados de Polícia Júlio Rocha e Marcos Dayan, os quais
merecem todo o respeito pela sua atuação, no sentido de se
desimcumbirem adequadamente destas duas funções, esta cumulação de
matérias, naturalmente, prejudica as investigações sobre corrupção, uma
vez que o foco da DEICOT é o combate à sonegação fiscal;
5. Noutro quadrante, deve-se enaltecer o profissionalismo e a seriedade
da atuação da Polícia Militar nesta e em outras operações já realizadas
em conjunto com o Ministério Público e com a própria Polícia Civil, não
havendo que se falar em exclusividade da atuação de nenhum órgão no
combate à criminalidade, especialmente numa área sensível como o
combate à corrupção;
6. Enfim, deve ser ressaltado que o Ministério Público do Estado do Rio
Grande do Norte tem uma convivência institucional histórica, tanto com
a Polícia Militar, quanto com a Polícia Civil do Estado do Rio Grande
do Norte, reafirmando a sua plena confiança e harmoniosa relação com
estas instituições.
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