Da Tribuna do Norte
A quadrilha presa na operação Pecado Capital nesta segunda-feira (12)
teve poder até para "afastar" um delegado que pretendia investigar os
supostos crimes administrativos cometidos no Ipem. Segundo o Ministério
Público, o delegado Matias Lauretino teria sido destituído das funções
como adjunto da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Ordem
Tributária (Deicot) a pedido de Rychardson de Macedo Bernardo,
ex-diretor da autarquia.
Uma
interceptação telefônica feita pelo Ministério Público às 21h05 do dia
28 de março passado mostra uma conversa entre Rychardson e o advogado
Daniel Vale Bezerra, também preso na operação Pecado Capital. Os dois
falavam sobre as investigações comandadas por Matias Laurentino. Na
gravação, eles discutem sobre como o delegado conseguiu informações sobre diárias pagas pelo Ipem e os nomes do pessoal que recebiam essas diárias.
"É
só dizer que não tem [a lista com os nomes das pessoas que recebiam as
diárias]. Como foi que esse FDP pegou isso aí? Que bicho FDP esse
Delegado", diz Rychardson a Daniel.
No final da ligação,
Rychadson diz a Daniel, refrendo-se ao delegado Matias Laurentino:
"Agora é tentar tirar esse doido daí, que ele acanalhou tudo esse
Matias". Rychadson chega a comentar que o delegado "está exagerando".
Matias
Laurentino foi nomeado para ser adjunto da Deicot em março deste ano.
Mas 23 dias após a designação, foi exonerado do cargo, sendo nomeado
para ser titular da Delegacia de Proteção ao Idosos (Depi).
O
Ministério Público chama a atenção na petição enviada à Justiça para o
fato de no dia da publicação da exoneração de Matias Laurentino da
Deicot, Rhandson Macedo - também preso na Pecado Capital - ter ligado
para o irmão Rychardson.
A interceptação foi feita às 14h04 do
dia 2 de abril passado: ""Você, já viu na internet? Saiu já! Mas não é
a pessoa que você pensava que entrou".
Tanto a nomeação, quanto
a exoneração de Matias Laurentino fortam assinadas pelo então delegado
geral de Polícia Civil (Degepol), Ronaldo Gomes de Moraes.
Na
petição, o Ministério Público frisa que "a dispensa do DPC MATIAS
LAURENTINO da DEICOT reforça a fragilidade de nossa Polícia Civil para
investigar os crimes contra a Administração Pública. Pelos diálogos
pode se afirmar com convicção que o delegado foi dispensado, em virtude
de tráfico de influência dos investigados que fazem parte da
organização criminosa, quais sejam, RYCHARDSON DE MACÊDO BERNARDO,
DANIEL VALE BEZERRA e RHANDSON ROSÁRIO DE MACEDO BERNARDO para que o
delegado não conseguisse descobrir os atos criminosos cometidos no IPEM
pelos investigados".
A Polícia Civil não participou da operação Pecado Capital nesta segunda-feira.
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