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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Operação Pecado Capital e os silêncios cúmplices da imprensa

À exceção desta matéria de Alisson Almeida, publicada no Portal No Minuto, nenhum veículo de imprensa do Rio Grande do Norte questionou as relações entre os envolvidos e o próprio escândalo revelado pela Operação Pecado Capital com os desembargadores Saraiva Sobrinho e Expedito Ferreira.
Além disso, ainda faltou Saraiva ser questionado sobre o fato de ter sido relator de um caso em que Rychardson Macedo atuou como advogado, mesmo depois de ter sua filha como prestadora de serviço no Ipem quando o "líder da organização"o dirigia, como disse aqui.

Uma análise mais cuidadosa dos áudios divulgados de interceptações telefônicas e do texto da petição do Ministério Público denuncia o silêncio cúmplice de nossa imprensa.
Além Sayonara Saraiva, jovem filha de Saraiva Sobrinho que, segundo depoimento constante do processo, chegou a receber como estagiária e contratada ao mesmo tempo, a conversa entre o advogado Daniel Vale Bezerra e Rychardson Macedo revela que havia uma filha de Expedito lá no Ipem também.
Além disso, uma gravação decupada na petição do MP mostra uma relação dos envolvidos com Érico Ferreira, filho de Expedito e diretor do Detran.  Essa conversa demonstra ainda que a quadrilha estava de mudança para o Detran - além de Daniel Bezerra já estar trabalhando por lá: "RHANDSON fala que quem deveria ter ido era ele mesmo para a vaga na coordenação de habilitações, porém por algum motivo de acerto com a Governadora e o deputado GILSON MOURA, ainda não tinha dado certo", diz o texto da petição do MP.
Não coube a nenhum veículo de imprensa questionar quanto movimenta a coordenação de habilitações do Detran do RN. Se a quadrilha roubou milhões de reais do Ipem, imagine quanto não seria desviado do Detran?  Justamente no setor de habilitações?
Ninguém, na imprensa, teve ousadia de investigar e questionar a referência ao nome dos desembargadores nas gravações.  Alguém perguntou por isso ao MP?
Além dos desembargadores, há um foco em políticos.  Além de Gilson Moura, deputado pevista muito próximo a Micarla de Sousa, é referido o nome de Fábio Dantas, deputado estadual pelo PHS.  Alguém perguntou algo a ele sobre a operação Pecado Capital?
E os nomes de Fernando e Lauro, nomes fortes do governo anterior, segundo Rychardson diz em conversa com Daniel Bezerra?  Alguém questionou o MP se são Fernando Faria e Lauro Maia?  Alguém perguntou à ex-governadora Wilma de Faria (PSB) se há chance de seu irmão e seu filho estarem envolvidos nesse esquema criminoso no Ipem ou vamos todos ficar tranquilos por saber que ela exonerou Rychardson tão logo ficou sabendo das denúncias?
E quem é Dickson, referido em algumas situações?  Sabemos que a empresa de Aécio Aluízio, FF Empreendimentos, era terceirizada no Ipem, segundo o MP, de forma fraudulenta.  A mesma empresa manteve seis contratos com a Câmara Municipal entre 2009 e 2010, quando a casa legislativa era dirigida por Dickson Nasser (PSB).  Interessante notar que há um diálogo transcrito na petição do Ministério Público que envolve o deputado estadual Dibson Nasser (PSDB), filho de Dickson.  Na petição, há o seguinte registro do dia 01 de junho, relacionada à tentativa de influenciar  o depoimento de Lianne Cavalcante Eufrázio Nunes, por parte de Rychardson (Lázaro é o advogado): "LÁZARO pergunta a RYCHARDSON se pode manter a mesma petição, e RYCHARDSON diz que sim, porque 'ELA' trabalha pro deputado DIBSON, e RYCHARDSON pediu para DIBSON falar com o pai dela, 'ai tudo ficou acertado'".  Alguém perguntou a Dibson Nasser qual a relação que ele tem com a quadrilha?
Além disso, alguém deu destaque ao fato de que Dibson comete crime ao influenciar, segundo Rychardson, o depoimento de uma testemunha?
O esquema de corrupção denunciado pela Operação Pecado Capital parece ser muito mais amplo do que tem a coragem de falar nossa imprensa.  Ninguém parece ter coragem de citar todos os envolvidos, questionar-lhes e ao ministério público sobre cada um deles.
Concluo, retomando: quem perguntará a Wilma por Fernando e Lauro?  Quem falará com eles?  Quem falará com Expedito Ferreira?  Saraiva responderá se acha ético ter atuado em caso que tinha como advogado Rychardson?  Qual o envolvimento de Dickson e de Dibson Nasser com a quadrilha?  E os deputados estaduais, Gilson Moura e Fábio Dantas?  Alguém vai perguntar a Micarla sobre o envolvimento de gente tão próxima dela nessas últimas investigações policiais (Gilson Moura, Dickson Nasser, Enildo Alves - na Operação Hefesto)?  Alguém vai questionar ao MP porque não incluiu ou se aprofundará as investigações sobre esses nomes referidos?  Alguém vai perguntar a Ricardo Motta e aos demais deputados estaduais se haverá investigação na Assembleia contra Fábio Dantas, Gilson Moura e Dibson Nasser?
No aguardo do silêncio ser quebrado.

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