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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

O aeroporto de São Gonçalo e a homenagem à D. Militana

Por Sérgio Vilar
No Diário do Tempo

Lideranças de grupos folclóricos e demais frentes da cultura de São Gonçalo do Amarante têm mobilizado forças para referendar o nome da romanceira Militana Salustino para nominar o novo aeroporto internacional sediado no município. Uma reunião agendada para hoje na sede do Boi Calemba Pintadinho deve reunir mais de 50 artistas para assinar o manifesto a ser entregue às autoridades políticas de São Gonçalo. No domingo, o mesmo grupo de artistas levará faixas e colherá assinaturas durante a parada gay anual da cidade.

Um dos organizadores da manifestação, o fotógrafo e pesquisador da Comissão Estadual de Folclore, Lenilton Lima, justifica o nome de Dona Militana pela representatividade da cultura popular de São Gonçalo do Amarante e por ter elevado o nome do município para além das fronteiras regionais quando recebeu a Comenda Máxima da Cultura Popular das mãos do então presidente Lula, em 2005. A mesma Comenda foi entregue a nomes como Oscar Niemeyer e Chico Buarque de Holanda. “São Gonçalo precisa de um nome que eleve a sua cultura para fora do Brasil”, acrescenta Lenilton.
Talvez o maior concorrente de Dona Militana seja Aluízio Alves. O nome do ex-ministro é defendido por instituições de renome como a Academia Norte-rio-grandense de Letras, o Conselho Estadual de Cultura e o Instituto Histórico e Geográfico do RN. A sugestão dessas instituições, inclusive, já foi acatada pela Câmara dos Vereadores de São Gonçalo. “Questionaremos essa decisão de escolher o nome de Aluízio Alves sem consultar o povo e os artistas da cidade”, adianta Lenilton. A opinião do prefeito Jaime Calado é de que o Aeroporto levaria o nome do ex-presidente Lula.
Jaime Calado já explicou ao Diário de Natal que a decisão do nome de Aluízio Alves partiu da gestão passada. “Foi o que eu soube”. Segundo o prefeito, quando o então presidente Lula esteve em Natal, ele falou pessoalmente que desejaria homenagear o presidente com o nome do aeroporto. “A resposta dele foi que isso é coisa pra quando ele morrer, mas há lei do município autorizando a homenagem em vida, e esse é o meu desejo, mas Aluízio Alves e Cascudo são nomes que o Rio Grande do Norte empresta com orgulho a qualquer obra do país”, comentou.
“Precisamos modificar alguns conceitos impetrados na cultura sãogonçalense há algum tempo. O teatro municipal do município leva o nome do político Poti Cavalcanti quando tivemos a figura marcante de Pedro Miranda no teatro – hoje sequer é lembrado. E esse é só um exemplo. São Gonçalo precisa olhar mais para seus filhos ilustres”. Lenilton acrescenta ainda que enormes faixas de terra têm sido compradas por portugueses com vistas à valorização imobiliária após a conclusão da mega obra. “Temos de questionar hoje qual a cidade que queremos após o Aeroporto”, ressaltou.
Outros nomes já especulados para denominar o Aeroporto de São Gonçalo foram os dos herois indígenas Clara e Felipe Camarão, então residentes nas proximidades do aeroporto; do ex-governador e amante da aviação, Juvenal Lamartine; do folclorista Câmara Cascudo; e do ex-prefeito de Natal, Djalma Maranhão. O próprio grupo de artistas de São Gonçalo também levantaram a possibilidade do nome do pai de Dona Militana, Atanásio Salustino, mestre de grupo de Fandango e do Boi Calembra.
No tocante ao Estádio Arena das Dunas, o único parecer emitido até o momento foi a decisão da ANL de manter o próprio nome da Arena das Dunas. “Já remete à característica da cidade que são as dunas”, comentou Diógenes da Cunha Lima. Segundo ele, um expediente com essas sugestões de nomes já foi expedido à governadora Rosalba Ciarlini. Independente das sugestões de instituições ou da Câmara de Vereadores, a decisão cabe à governadora, que levará a sugestão de nome ao âmbito Federal, que possui autonomia na decisão, mas comumente acata a decisão estadual.

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