Por Sérgio Vilar
No Diário do Tempo
Lideranças de grupos folclóricos e demais frentes da cultura de São
Gonçalo do Amarante têm mobilizado forças para referendar o nome da
romanceira Militana Salustino para nominar o novo aeroporto
internacional sediado no município. Uma reunião agendada para hoje na
sede do Boi Calemba Pintadinho deve reunir mais de 50 artistas para
assinar o manifesto a ser entregue às autoridades políticas de São
Gonçalo. No domingo, o mesmo grupo de artistas levará faixas e colherá
assinaturas durante a parada gay anual da cidade.
Um dos organizadores da manifestação, o fotógrafo e pesquisador da
Comissão Estadual de Folclore, Lenilton Lima, justifica o nome de Dona
Militana pela representatividade da cultura popular de São Gonçalo do
Amarante e por ter elevado o nome do município para além das fronteiras
regionais quando recebeu a Comenda Máxima da Cultura Popular das mãos
do então presidente Lula, em 2005. A mesma Comenda foi entregue a nomes
como Oscar Niemeyer e Chico Buarque de Holanda. “São Gonçalo precisa de
um nome que eleve a sua cultura para fora do Brasil”, acrescenta
Lenilton.
Talvez o maior concorrente de Dona Militana seja Aluízio Alves. O
nome do ex-ministro é defendido por instituições de renome como a
Academia Norte-rio-grandense de Letras, o Conselho Estadual de Cultura
e o Instituto Histórico e Geográfico do RN. A sugestão dessas
instituições, inclusive, já foi acatada pela Câmara dos Vereadores de
São Gonçalo. “Questionaremos essa decisão de escolher o nome de Aluízio
Alves sem consultar o povo e os artistas da cidade”, adianta Lenilton.
A opinião do prefeito Jaime Calado é de que o Aeroporto levaria o nome
do ex-presidente Lula.
Jaime Calado já explicou ao Diário de Natal que a decisão do nome de
Aluízio Alves partiu da gestão passada. “Foi o que eu soube”. Segundo o
prefeito, quando o então presidente Lula esteve em Natal, ele falou
pessoalmente que desejaria homenagear o presidente com o nome do
aeroporto. “A resposta dele foi que isso é coisa pra quando ele morrer,
mas há lei do município autorizando a homenagem em vida, e esse é o meu
desejo, mas Aluízio Alves e Cascudo são nomes que o Rio Grande do Norte
empresta com orgulho a qualquer obra do país”, comentou.
“Precisamos modificar alguns conceitos impetrados na cultura
sãogonçalense há algum tempo. O teatro municipal do município leva o
nome do político Poti Cavalcanti quando tivemos a figura marcante de
Pedro Miranda no teatro – hoje sequer é lembrado. E esse é só um
exemplo. São Gonçalo precisa olhar mais para seus filhos ilustres”.
Lenilton acrescenta ainda que enormes faixas de terra têm sido
compradas por portugueses com vistas à valorização imobiliária após a
conclusão da mega obra. “Temos de questionar hoje qual a cidade que
queremos após o Aeroporto”, ressaltou.
Outros nomes já especulados para denominar o Aeroporto de São
Gonçalo foram os dos herois indígenas Clara e Felipe Camarão, então
residentes nas proximidades do aeroporto; do ex-governador e amante da
aviação, Juvenal Lamartine; do folclorista Câmara Cascudo; e do
ex-prefeito de Natal, Djalma Maranhão. O próprio grupo de artistas de
São Gonçalo também levantaram a possibilidade do nome do pai de Dona
Militana, Atanásio Salustino, mestre de grupo de Fandango e do Boi
Calembra.
No tocante ao Estádio Arena das Dunas, o único parecer emitido até o
momento foi a decisão da ANL de manter o próprio nome da Arena das
Dunas. “Já remete à característica da cidade que são as dunas”,
comentou Diógenes da Cunha Lima. Segundo ele, um expediente com essas
sugestões de nomes já foi expedido à governadora Rosalba Ciarlini.
Independente das sugestões de instituições ou da Câmara de Vereadores,
a decisão cabe à governadora, que levará a sugestão de nome ao âmbito
Federal, que possui autonomia na decisão, mas comumente acata a decisão
estadual.
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