Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Não nos esqueceremos

Ontem à noite a Câmara Federal aprovou a criação da Comissão da Verdade Nacional.  Não é exatamente um projeto com o poder necessário para pôr a limpo o país - não à toa tiraram a Justiça de seu nome.
Enquanto ainda tivermos uma anistia para quem matou e torturou - gente como Zuzu e Stuart Angel, e meu pai -, não teremos verdade e justiça nesse país.
Enquanto ainda tivermos vários filhotes da ditadura com poder e nas estruturas de poder, ainda teremos obscuridade e dor no país.  Enquanto as referências de meu estado ainda forem Henrique Alves, filho do governador golpista de 64 Aluízio Alves, ou José Agripino Maia, criado no berço da Arena, ainda carregaremos a dor dos que caíram.
Mas não nos esqueceremos.
Não esqueceremos da dor impingida.
Rubens Lemos não será conhecido apenas como meu pai ou dos meus irmãos.
Zuzu Angel não será apenas lembrada como mãe de Hildegard.  Stuart não será apenas seu irmão.
Não serão esquecidos.  Nenhum deles.  Mesmo que seja jocosamente ou pejorativamente chamados de terroristas.


Comentários

Postagens mais visitadas