A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal
investiga como genocídio o ataque sofrido por indígenas da etnia
guarani-kaiowá, ocorrido há duas semanas no município de Iguatemi (MS),
onde adultos e crianças estavam acampados às margens de uma estrada
vicinal.
Um dos líderes guarani-kaiowá relatou ao MPF que os índios estavam
rezando quando chegaram dois caminhões com homens atirando. Eles
queimaram barracas e roupas e ameaçaram amarrar todos os índios.
- Saímos correndo, em direção diferente. A 300 metros do local vimos
as barracas queimando e muito choro. Faroletes e lanternas estão
focando pra lá e cá, as crianças e idosos não conseguiram correr. Os
meus olhos enlagrimando (sic) escrevi este fato. Quase não temos mais
chance de sobreviver neste Brasil - relatou o índigena.
O ataque causou a destruição de barracos e pertences dos índios. O
estoque de alimento foi queimado. Os mais atingidos pela violência
foram idosos e crianças, que não conseguiram correr e ficaram feridos.
O acampamento ocupa área pública.
O MPF em Dourados (MS) pediu abertura de inquérito na Polícia
Federal para investigar o crime. Foram encontrados dezenas de cartuchos
de munição calibre 12 anti-tumulto (balas de borracha) e há indício de
formação de milícia armada.
Em vista da insegurança, os indígenas se valem de um meio precário
para atravessar o rio que os separa do acampamento. São 50 metros entre
as margens, dois metros de profundidade e forte correnteza, vencidos
por mulheres, idosos e crianças através de um fio de arame. Na outra margem, sentem-se mais seguros contra ataques.
O MPF trata o caso como genocídio porque foi cometida violência motivada por questões étnicas contra uma coletividade indígena.
A área reivindicada pelo grupo guarani-kaiowá é conhecida como
Puelito Kue e já foi estudada pelos antropólogos da Fundação Nacional
do Índio. O relatório, cuja publicação é uma das fases da demarcação de
terras indígenas, está em fase final de redação. Como não têm para onde
ir, os indígenas retornaram ao mesmo acampamento após o ataque.
Os indígenas se valem de um meio precário para atravessar o rio que
os separa do acampamento. São 50 metros entre as margens, dois metros
de profundidade e forte correnteza, vencidos por mulheres, idosos e
crianças através de um fio de arame. Na outra margem, sentem-se mais
seguros contra ataques.
O Mato Grosso do Sul, que abriga a segunda maior população indígena
do País, tem sido palco de violência étnica. Mais de 70 mil índios de
diversas etnias aguardam a demarcação das terras tradicionalmente
ocupadas por eles, em cumprimento a um Termo de Ajustamento de Conduta
(TAC) assinado pelo MPF e Funai, em 2007, mas que não foi cumprido.
O MPF relata dois outros eventos violentos envolvendo a comunidade.
Em setembro de 2003, um grupo tentou retornar à área, mas homens
armados invadiram o acampamento e expulsaram os indígenas com violência.
Em dezembro de 2009, os índios foram amarrados, espancados e
colocados num caminhão, sendo deixados em local distante do
acampamento. O indígena Arcelino Oliveira Teixeira desapareceu sem
deixar pistas. O corpo nunca foi encontrado.
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