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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

MPF considera genocídio ataque a índios no MS

Criança v�tima da violência
A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal investiga como genocídio o ataque sofrido por indígenas da etnia guarani-kaiowá, ocorrido há duas semanas no município de Iguatemi (MS), onde adultos e crianças estavam acampados às margens de uma estrada vicinal.
Um dos líderes guarani-kaiowá relatou ao MPF que os índios estavam rezando quando chegaram dois caminhões com homens atirando. Eles queimaram barracas e roupas e ameaçaram amarrar todos os índios.
- Saímos correndo, em direção diferente. A 300 metros do local vimos as barracas queimando e muito choro. Faroletes e lanternas estão focando pra lá e cá, as crianças e idosos não conseguiram correr. Os meus olhos enlagrimando (sic) escrevi este fato. Quase não temos mais chance de sobreviver neste Brasil - relatou o índigena.

O ataque causou a destruição de barracos e pertences dos índios. O estoque de alimento foi queimado. Os mais atingidos pela violência foram idosos e crianças, que não conseguiram correr e ficaram feridos. O acampamento ocupa área pública.
O MPF em Dourados (MS) pediu abertura de inquérito na Polícia Federal para investigar o crime. Foram encontrados dezenas de cartuchos de munição calibre 12 anti-tumulto (balas de borracha) e há indício de formação de milícia armada.
Em vista da insegurança, os indígenas se valem de um meio precário para atravessar o rio que os separa do acampamento. São 50 metros entre as margens, dois metros de profundidade  e forte correnteza, vencidos por mulheres, idosos e crianças através de um fio de arame.  Na outra margem, sentem-se mais seguros contra ataques.
O MPF trata o caso como genocídio porque foi cometida violência motivada por questões étnicas contra uma coletividade indígena.
A área reivindicada pelo grupo guarani-kaiowá é conhecida como Puelito Kue e já foi estudada pelos antropólogos da Fundação Nacional do Índio. O relatório, cuja publicação é uma das fases da demarcação de terras indígenas, está em fase final de redação. Como não têm para onde ir, os indígenas retornaram ao mesmo acampamento após o ataque.
Os indígenas se valem de um meio precário para atravessar o rio que os separa do acampamento. São 50 metros entre as margens, dois metros de profundidade  e forte correnteza, vencidos por mulheres, idosos e crianças através de um fio de arame.  Na outra margem, sentem-se mais seguros contra ataques.
O Mato Grosso do Sul, que abriga a segunda maior população indígena do País, tem sido palco de violência étnica. Mais de 70 mil índios de diversas etnias aguardam a demarcação das terras tradicionalmente ocupadas por eles, em cumprimento a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelo MPF e Funai, em 2007, mas que não foi cumprido.
O MPF relata dois outros eventos violentos envolvendo a comunidade. Em setembro de 2003, um grupo tentou retornar à área, mas homens armados invadiram o acampamento e expulsaram os indígenas com violência.
Em dezembro de 2009, os índios foram amarrados, espancados e colocados num caminhão, sendo deixados em local distante do acampamento. O indígena Arcelino Oliveira Teixeira desapareceu sem deixar pistas. O corpo nunca foi encontrado.

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