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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

@maureliomello: Juntando os "cacos"

Por Marco Aurélio Mello




Há duas teses sobre a participação de Caco Barcellos no programa "Em Pauta", da Globo News, no início desta semana. A primeira sustenta que a direção quis correr o risco ao levá-lo para o estúdio ao vivo e deixar que ele falasse à vontade. A segunda é que não pensaram que o jornalista fosse capaz de tal surpresa, diante de circunstâncias tão adversas que o jornalismo da emissora enfrenta.
Precisamos examinar bem, primeiro, quem é Caco Barcellos e do que ele é capaz. Caco nasceu e cresceu na periferia de Porto Alegre durante os anos de chumbo. Testemunhou na infância várias atrocidades praticadas por policiais contra os pobres. Foi taxista e militou na imprensa alternativa nos anos 70. Apesar da cara de mocinho, Caco já passou dos sessenta, acreditem!

O que o leitor acha de um repórter que é capaz de se disfarçar de morador de rua durante uma semana para fazer uma reportagem? Isso mesmo, dormir no papelão, ficar sem banho e barba, apenas com a roupa do corpo e um saco de lixo para lá e para cá? Esse é o repórter sobre o qual estamos falando. E é por essas e outras que se transformou num ícone do jornalismo brasileiro.

Obstinado, passou oito anos examinando arquivos da polícia de São Paulo, para produzir talvez o melhor livro-reportagem da história do país: o Rota 66. Um documento oportuno até para ajudar os parlamentares e governantes a entenderem a importância da instalação no país da Comissão da Verdade.

O livro faz um retrato de como a polícia torturou e matou muitas vezes sem prova alguma, apenas por diversão. E inventou um termo que até hoje é aceito pelas polícias de todo país, sobretudo a paulista, como permissão para matar: a chamada resistência seguida de morte. Sua investigação ajudou a identificar mais de quatro mil vítimas da Rota, que aliás segue matando.

Caco também retratou a ditadura Somoza, na Nicaragua, apesar do livro ser pouco conhecido entre nós, lamentavelmente. Em Abusado, o dono do Morro Dona Marta, seu best seller, nosso repórter desmascara a cumplicidade entre traficantes e policiais no Rio, e fala sobre as relações delicadas do tráfico com a comunidade.

Acho que ficou claro para todos porque Caco Barcellos não aceita mordaças. Com mais tempo quero desenvolver um pouco melhor, agora, a relação dele com a emissora, que nunca foi fácil, com o Schroder, seu avalista, e analisar sua participação nos episódios mais recentes: a vaia que levou na Avenida Paulista e sua participação no programa Em Pauta.

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