Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
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de 25 mil pessoas participaram nesta quarta-feira (7) da Marcha Contra
a Corrupção, em Brasília. Com cartazes pregando o fim do voto secreto
dos parlamentares e contra a absolvição da deputada federal Jaqueline
Roriz (PMN-DF), os manifestantes ocuparam toda a Esplanada dos
Ministérios até a praça dos Três Poderes.
Inicialmente, a Polícia Militar calculou em 10 mil o número de
presentes à marcha, mas logo após o fim da manifestação admitiu que 25
mil compareceram. A organização contava com uma adesão entre 25 mil e
30 mil pessoas.
Organizada nas redes sociais – como o Facebook, o Twitter e o Orkut
–, a marcha se valeu de cartazes e faixas, algumas bem-humoradas e
outras mais radicais, para apelar a um sentimento de mobilização que
não se via desde a época dos caras pintadas, quando houve o impeachment
do ex-presidente Fernando Collor.
O técnico em processamento de dados Charles Guerreiro, 42 anos,
organizou um pequeno grupo com vassouras e baldes de água e sabão. O
objetivo era, nas palavras dele, ajudar a presidente Dilma Rousseff a
continuar a “faxina” contra a corrupção. Juntos, lavaram a entrada do
Ministério da Agricultura.
- Nós sabemos que o dinheiro que alimenta a corrupção retira
direitos do cidadão como saúde e educação. Não aceitamos mais esse
desrespeito com a população. Exigimos o fim da impunidade e do voto
secreto. Queremos saber quem são os ladrões que acobertam os outros.
O estudante de Relações Internacionais George Marques, 21 anos, foi
um dos organizadores da marcha. Segundo ele, os jovens querem mudanças
na política brasileira, com renovação dos parlamentares e um combate
mais efetivo aos desvios de dinheiro público.
- Passamos muito tempo calados, mas agora estamos vivendo uma
situação insustentável. Se o governo diz que precisamos crescer,
precisa antes fechar a torneira de dinheiro público que abastece os
políticos. Pagamos nossos impostos e merecemos ter dignidade como
cidadãos que ainda acreditam numa política bem feita.
Prevista para começar às 10h, a marcha só saiu do lugar de
concentração, o Museu da República, meia hora depois. A intenção de
cantar o Hino Nacional na frente do palanque de autoridades que
assistia ao desfile de Sete de Setembro foi por água abaixo com o
atraso.
Dispostos a mostrar volume, a organização decidiu percorrer a
Esplanada dos Ministérios até o pavilhão nacional, a bandeira que fica
próximo ao Palácio do Planalto.
Pressionando a Polícia Militar, que tentava evitar a aproximação do
público do local de trabalho da presidente Dilma, os manifestantes
conseguiram ultrapassar a barreira formada e deram a volta por trás do
Congresso para retomar a marcha pelo outro lado da Esplanada, onde mais
cedo ocorreu o desfile militar.
A estudante Jessica Nascimento, de 19 anos, levou os pais para o
movimento. Aos gritos de "Fora Jaqueline", em referência à deputada que
foi absolvida pelos colegas mesmo após a divulgação de um vídeo no qual
aparece recebendo R$ 30 mil do delator do mensalão do DEM, a estudante
disse que vai trabalhar a partir de agora para organizar manifestações
parecidas.
- A população está muito descrente, mas se não fizermos nada a
situação vai continuar como está. Os políticos fazem o que querem
porque não há quem cobre, quem fiscalize.
Do palanque onde estava, Dilma não pode conferir a manifestação. No
entanto, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, declarou ver com
bons olhos a amostra de insatisfação popular vista no Dia da
Independência.
- A marcha é legítima. Da parte do poder público, é dever combater a
corrupção. Todos nós do poder público temos esse dever e a presidente
da República ressalta isso. Portanto, eu acho que o debate e a
manifestação são legítimas e as autoridades públicas em todo o país têm
que cumprir o seu papel.
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