Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Cerca
de 25 mil pessoas participaram nesta quarta-feira (7) da Marcha Contra
a Corrupção, em Brasília. Com cartazes pregando o fim do voto secreto
dos parlamentares e contra a absolvição da deputada federal Jaqueline
Roriz (PMN-DF), os manifestantes ocuparam toda a Esplanada dos
Ministérios até a praça dos Três Poderes.
Inicialmente, a Polícia Militar calculou em 10 mil o número de
presentes à marcha, mas logo após o fim da manifestação admitiu que 25
mil compareceram. A organização contava com uma adesão entre 25 mil e
30 mil pessoas.
Organizada nas redes sociais – como o Facebook, o Twitter e o Orkut
–, a marcha se valeu de cartazes e faixas, algumas bem-humoradas e
outras mais radicais, para apelar a um sentimento de mobilização que
não se via desde a época dos caras pintadas, quando houve o impeachment
do ex-presidente Fernando Collor.
O técnico em processamento de dados Charles Guerreiro, 42 anos,
organizou um pequeno grupo com vassouras e baldes de água e sabão. O
objetivo era, nas palavras dele, ajudar a presidente Dilma Rousseff a
continuar a “faxina” contra a corrupção. Juntos, lavaram a entrada do
Ministério da Agricultura.
- Nós sabemos que o dinheiro que alimenta a corrupção retira
direitos do cidadão como saúde e educação. Não aceitamos mais esse
desrespeito com a população. Exigimos o fim da impunidade e do voto
secreto. Queremos saber quem são os ladrões que acobertam os outros.
O estudante de Relações Internacionais George Marques, 21 anos, foi
um dos organizadores da marcha. Segundo ele, os jovens querem mudanças
na política brasileira, com renovação dos parlamentares e um combate
mais efetivo aos desvios de dinheiro público.
- Passamos muito tempo calados, mas agora estamos vivendo uma
situação insustentável. Se o governo diz que precisamos crescer,
precisa antes fechar a torneira de dinheiro público que abastece os
políticos. Pagamos nossos impostos e merecemos ter dignidade como
cidadãos que ainda acreditam numa política bem feita.
Prevista para começar às 10h, a marcha só saiu do lugar de
concentração, o Museu da República, meia hora depois. A intenção de
cantar o Hino Nacional na frente do palanque de autoridades que
assistia ao desfile de Sete de Setembro foi por água abaixo com o
atraso.
Dispostos a mostrar volume, a organização decidiu percorrer a
Esplanada dos Ministérios até o pavilhão nacional, a bandeira que fica
próximo ao Palácio do Planalto.
Pressionando a Polícia Militar, que tentava evitar a aproximação do
público do local de trabalho da presidente Dilma, os manifestantes
conseguiram ultrapassar a barreira formada e deram a volta por trás do
Congresso para retomar a marcha pelo outro lado da Esplanada, onde mais
cedo ocorreu o desfile militar.
A estudante Jessica Nascimento, de 19 anos, levou os pais para o
movimento. Aos gritos de "Fora Jaqueline", em referência à deputada que
foi absolvida pelos colegas mesmo após a divulgação de um vídeo no qual
aparece recebendo R$ 30 mil do delator do mensalão do DEM, a estudante
disse que vai trabalhar a partir de agora para organizar manifestações
parecidas.
- A população está muito descrente, mas se não fizermos nada a
situação vai continuar como está. Os políticos fazem o que querem
porque não há quem cobre, quem fiscalize.
Do palanque onde estava, Dilma não pode conferir a manifestação. No
entanto, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, declarou ver com
bons olhos a amostra de insatisfação popular vista no Dia da
Independência.
- A marcha é legítima. Da parte do poder público, é dever combater a
corrupção. Todos nós do poder público temos esse dever e a presidente
da República ressalta isso. Portanto, eu acho que o debate e a
manifestação são legítimas e as autoridades públicas em todo o país têm
que cumprir o seu papel.
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