Do UOL

Americanos influentes aconselharam o ditador líbio Muammar Gaddafi
desde o início do levante popular em fevereiro, segundo indicou a Al
Jazeera
O produtor do canal Al Jazeera, Jamal Elshayyal, teve acesso ao
prédio onde funcionava a sede da Inteligência líbia em Trípoli, que foi
destruído pelos bombardeios da Otan. Lá era o escritório era do chefe
da Inteligência, Abdullah Alsinnousi, que era um dos homens mais fortes
e temidos do governo.
Em meio à confusão causada pela destruição, Elshayyal encontrou
papeis que indicam ser minutos de um encontro entre funcionários do
regime líbio --Abubakr Alzleitny e Mohammed Ahmed Ismail-- com David
Welch, ex-assistente do secretário de Estado da administração George W.
Bush.
Welch foi quem, em 2008, intermediou as negociações para reestabelecer relações diplomáticas entre a Líbia e os EUA.
Nos documentos, está registrado um encontro no dia 2 de agosto de
2011, no hotel Four Season no Cairo (Egito), entre Welch e os
funcionários de Gaddafi.
Welch teria dado conselhos de como vencer a guerra de propaganda. Os
documentos indicam também que uma personalidade política americana
aconselhava os líbios em como vencer a Otan (Organização do Tratado do
Atlântico Norte) e os EUA.
Além disso, há conselhos de como enfraquecer o movimento rebelde com ajuda da Inteligência estrangeira.
Segundo a Al Jazeera, no documento pode-se ler: "Qualquer informação
relacionada à Al Qaeda ou outra organização extremistas devem ser
encontradas e passadas para a administração americana, mas via agência
de Inteligência de Israel, Egito, Marrocos ou Jordânia. Os EUA irão
ouvi-los".
Também havia, de acordo com o produtor, envelopes endereçados ao
filho de Gaddafi, Saif Al-Islam, em que constava um resumo de uma
conversa entre o parlamentar americano Denis Kucinich, que se opôs à
política dos EUA na Líbia, e um intermediário do filho de Gaddafi.
O parlamentar queria, entre outras coisas, informações que ligassem
os rebeldes à Al Qaeda ou mostrasse corrupção no CNT (Conselho Nacional
de Transição).
Kucinich também queria informações necessárias para que ele pudesse
fazer lobby para suspender o apoio americano ao CNT e à intervenção da
Otan na Líbia.
Um porta-voz da departamento de Estado dos EUA disse que Welch é um
"cidadão comum" e não levava "nenhuma mensagem do governo americano". A
Al Jazeera informou que Welch não a atendeu.
Dennis Kucinich, por sua vez, divulgou um comunicado dizendo que: "o
documento era de um burocrata líbio para outro, que prova que os líbios
estavam lendo o [jornal] 'Washington Post' (...) não há nada que eu
possa fazer sobre o que os líbios colocam nos seus arquivos".
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