Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Líbia: Ações entre amigos

Por Jânio de Freitas
Na Folha de São Paulo


Os relatos menos ligeiros da conferência "Amigos da Líbia", em Paris, proporcionam o primeiro esclarecimento documental das discutidas motivações, entre princípios humanitários e suspeitados interesses gananciosos, para a ação de potências ocidentais no país africano e tanta passividade ante os massacres da população pelas ditaduras na Síria, no Iêmen, no Barein e outras.
Como aperitivo para a reunião dos governantes e representantes de 63 países, o jornal parisiense "Libération" divulgou uma carta, datada de abril, em que o Conselho Nacional de Transição da Líbia rebelde se compromete a destinar à França, em troca do seu reconhecimento como governo legítimo, 35% da produção de petróleo líbio. Ao que o ministro do Exterior francês, Alain Juppé, anexa palavras talvez distraídas, mas definitivas: "A operação na Líbia é muito dispendiosa. É também um investimento no futuro".
Ficou explicado o pronto reconhecimento recebido do presidente Sarkozy pelos integrantes e pelo próprio conselho, assim como sua condição de governo nos 18 meses seguintes à esperada queda real de Gaddafi. Reino Unido (Inglaterra) e Itália fizeram o mesmo reconhecimento rápido, logo, é presumível que tenham também recebido cartas permutando a riqueza petrolífera da Líbia.
Mas a divisão do legado transferiu para a conferência o clima de disputa que estava só na Líbia. Ingleses, franceses e italianos disputaram com garra o espólio pós-guerra. O bravo ministro do Exterior do Reino Unido foi tão belicamente determinado, com sua proclamação de que "as empresas britânicas não ficarão para trás" na disputa com as francesas e italianas, que não tardou um rateio inaugural para a atividade imediata de meia dúzia de petrolíferas na Líbia.
Enquanto for possível transgredir impunemente decisões e princípios da ONU, como ingleses e franceses fazem na Líbia, será ingênua toda crença de que as potências ajam, em algum caso, por menos do que ambição de domínio e das riquezas alheias.
Entre os "Amigos da Líbia" (alguns tão amigos que já eram muito amigos nos tempos de Gaddafi), quem não saiu da conferência com seu butim, ou com a promessa de tê-lo, lá ganhou ao menos uma frase de Hillary Clinton que deveria ser lembrada a cada dia: "Vencer uma guerra não traz nenhuma garantia de preservação da paz".

Comentários

Postagens mais visitadas