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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

...julgo procedente o pedido inicial...

...julgo procedente o pedido inicial e, em consequência, reconheço que o Sr. Rubens Manoel Lemos é o pai biológico de Daniel Dantas, extinguindo o processo com julgamento do mérito...
Dra. Fátima Maria Costa Soares de Lima, Juíza de Direito

Você, para mim, sempre foi Daniel Lemos. Quando você fala das coisas que aprendi nos discos, lembro-me que seu pai é também culpado pelo que sou pelas músicas que me fez ouvir pela Cabugi. Certa feita lhe dei carona e você me perguntou quem estava cantando. Era o Isca de Polícia e Itamar Assumpção. Ao te deixar em casa fiquei pensando do curioso que era falar das músicas que gosto para o filho de Rubens Lemos. Você ainda tem muito crédito comigo. Tenho por você a amizade que não pude ter por seu pai. Fico feliz por você está demasiado feliz.
Valeu Alice, Kênia e Daniel, entre outras coisas, Lemos. Abraço.

Do meu amigo Marcos Dionísio

Hoje eu passei quatro horas de meu dia no Fórum do Distrito da Zona Sul, em Natal.  Era o fim da manhã e a fome e o cansaço imperavam.  Mas talvez tenham sido as quatro horas mais importantes de minha vida adulta.
Nasci há 32 anos.  Já expus muito de minha vida neste e em outros blogs.  Já contei muito dos fascínios das histórias e relações de meu pai - e aquilo tudo isso provocou de marca em minha vida.  Aquelas quatro horas de hoje, disso eu tinha certeza, representavam uma espera que, a depender do parâmetro com que eu contasse, durava 32, oito ou três anos.  
Há oito anos meu irmão Marcos pagou o exame de DNA que comprovou biologicamente que eu era filho de meu pai.  Em 2005, desempregado, preparei o material para entrar com a ação, mas não podia pagar um advogado.  Apenas em fevereiro de 2008 a ação foi apresentada, graças ao meu amigo Daniel Pessoa.
Dei meu depoimento hoje para a juíza, a promotora de justiça emitiu seu parecer, a juíza proferiu a sentença e desde então já sou Daniel Dantas Lemos.  Surpreendi-me porque não tive qualquer reação mais emocionada ao por fim a essa espera histórica.
No fim da tarde, conversei sobre isso com minha analista.  A ficha, evidentemente, vai demorar a cair porque uma parte importante de minha identidade muda com a mudança de um nome.  O susto por essa questão está aqui presente: o que muda?  Como será tudo daqui para frente?  Eu sou exatamente o mesmo mas já não sou o mesmo exatamente.  Será que eu vou me habituar a isso?
A emoção estava guardada.  Ela transbordou quando eu recebi a mensagem que republiquei acima, do meu camarada Marcos Dionísio.  Com o SMS de Marcos, eu chorei.  A ficha caiu.  Ou começou a cair.  
Meu pai foi um ícone para mim mas, ainda mais, para a geração lutadora de Marcos.  A frase que me emociona faz menção a isso: Ao te deixar em casa fiquei pensando do curioso que era falar das músicas que gosto para o filho de Rubens Lemos.
O milagre da paternidade não se faz com ciência ou com biologia.  Se faz no dia a dia.  Estou aprendendo isso com muito energia na relação com Alice.  Que dorme abraçada comigo, que faz carinho quando ela se machuca, que cuida de mim para que eu cuide dela, que canta comigo para que eu com ela dance.  Paternidade é a vida para mim.
Hoje eu tive um novo encontro e um novo começo com a paternidade.  Aquela que eu aprendo com minha filha e que eu não tive tempo de viver como filho.  
Hoje eu tive um novo encontro com a fraternidade.  Os irmãos que me amam e que apostaram nisso.  Os irmãos que não gostam de mim.  Os amigos e companheiros que se fizeram irmãos no dia a dia.  Na caminhada da luta.
Rubens Lemos: PRESENTE!

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