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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

#HomofobiaNao: 30 dias depois do assassinato de meu filho: Marx Nunes


Por Pedro Pessoa, 
pai de Marx Nunes, morto em Cabedelo (PB) por não ser homofóbico
Do Blog da Maria Frô

8/09/2011

Hoje faz 30 dias da morte do meu filho Marx Nunes, a partir desta data, convivemos com algo que não conhecíamos, tais como: ÓDIO, HOMOFOBIA, IMPUNIDADE E IMPOTÊNCIA.

MARX teve uma atitude de grande civilidade e de senso de responsabilidade com o próximo e pagou com a vida, seu assassino no mesmo dia, seis horas antes, havia matado um mendigo chamado Lucas Cordeiro. O assassino de meu filho não é só homofóbico, é uma pessoa sem nenhum preparo para viver na sociedade. Ele não respeita os diferentes e esta falta de respeito se transforma em ódio selvagem capaz de fazer qualquer barbárie.No inquérito policial ficamos sabendo que a família iria fazer tudo pela impunidade, por exemplo retirando o delegado Dr. Edilberto do caso, e em consequência tudo que teria sido apurado seria jogado fora. Os pais do assassino contavam com o terror contra as testemunhas, só que nós não nos intimidamos: fomos à tv, não encobrimos nosso rostos em respeito aos monstros, pois achamos que os criminosos são eles. Fomos de cara limpa em todas entrevistas, estivemos com o delegado geral da polícia civil na Paraiba, Dr. Severiano e explicamos nossa dor e nosso sentimento para que não retirasse o delegado onde fomos atendido, com o apoio também do corregedor Dr. Magalhães.

Não conseguindo afastar o delegado, a família do assassino impetrou um habeas corpus preventivo pra que o foragido repondesse pelo assassinato de meu filho em liberdade, contrariando, para nosso espanto, o parecer do delegado Dr. Edilberto, que denunciava o assassino de ter praticado os seguintes crimes: posse ilegal de arma, dupla tentativa de homicídio, agressão física, e homicídio por motivo fútil , sendo denominado crime hediondo. Pois diante de todas informações este juiz da comarca de Cabedelo deferiu o pedido em prol do assassino!!!!!

Foi uma dor imensa, foi como ser torturado novamente. Hoje sei o que passaram vários irmãos, pois esta tortura psicológica acaba furando nosso organismo.

Sabiamos que tinhamos perdido uma batalha mais teriamos que forçar outras, passamos a juntar tudo o que a sociedade nos passava e passamos para a imprensa culminando com este outro pedido de prisão pela a morte do Sr. Marcelo Cordeiro.

Outras batalhas virão, mas a indignação não deve acabar, isto e o que nos move, pessoas que deveriam estar mais presentes a esta ação do Marx, mandaram nota de solidariedade, agradecemos, mas precisamos mais do que isso. Precisamos de mobilização para que cobrem ações da Justiça. Não nos abandonem nesta louca luta contra poderosos, nesta decisão deste magistrado. Por que com todas as evidências do processo este magistrado deixou o assassino livre?? Por que é branco de familia abastada? Mas esse assassino é um ser nocivo à sociedade, um péssimo exemplo aos jovens.

Desde que meu filho foi morto todos nos aconselhavam a ficarmos quietos, que DEUS ia punir o assassino. Fomos à luta, pois DEUS deve estar muito ocupado.

Peço aos ativistas dos direitos humanos, aos ativistas que militam contra a homofobia que nos ajudem. Ninguém sem vivê-la pode saber o sentido real da nossa dor, da dor de VER UM FILHO QUE AMAMOS MORRENDO POR UM GRANDE SENSO DE RESPONSABILIDADE, morrer porque respeitou o outro e agiu em sua defesa.

Se vocês ativistas, deputados, militantes ligados a causa LGBT pressionarem, perguntarem como anda o caso do assassinato de Marx Nunes, aparecerem na tv e cobrarem que a Justiça seja feita teremos mais força para que a Justiça seja realmente feita.

A única arma de meu filho no dia que foi assassinado era o amor ao próximo pois, mesmo sendo hetero, não aceitou que em pleno seculo XXI vivêssemos governados pelo preconceito medieval, alimentados pelo ódio ao próximo!!!!!!!

HOMOFOBIA MATA E A IMPUNIDADE NOS TORTURA PARA O RESTO DE NOSSAS VIDAS!!!!

POR UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA COM UMA JUSTICA MAIS NEUTRA E ATUANTE ONDE O PODER ECONÔMICO NÂO SEJA DETERMINANTE

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